Economia

Lufthansa mira 100% da TAP: o plano secreto após fechar fatia de 49,9%

Aviões Lufthansa e TAP lado a lado simbolizando aquisição de 49,9% e plano para 100% da companhia portuguesa
Lufthansa avança para controle total da TAP após adquirir 49,9% por 1,2 bilhão de euros

A Lufthansa não esconde o jogo: depois de garantir quase metade da TAP por 1,2 bilhão de euros, o grupo alemão já articula a compra dos 50,1% restantes que pertencem ao Estado português. O diretor financeiro Till Streichert confirmou a intenção nesta quarta-feira (15), sinalizando que a privatização total da companhia aérea portuguesa é apenas uma questão de tempo e negociação.

O movimento transforma Portugal em potencial acionista do gigante europeu, com até 5% do capital da Lufthansa. É uma reviravolta rara: o vendedor vira sócio do comprador, num acordo que promete redesenhar o mapa da aviação no continente.

Como funciona a engenharia financeira do acordo

O governo português selecionou a Lufthansa em detrimento da Air France-KLM para a primeira fase. Os números iniciais são expressivos:

  • Valor da fatia inicial (49,9%): 1,2 bilhão de euros (cerca de R$ 6,73 bilhões).
  • Participação dos trabalhadores: 5% reservados aos colaboradores da TAP.
  • Possível entrada de Portugal na Lufthansa: até 5% do grupo alemão.

Streichert projeta o fechamento total da operação para o primeiro semestre de 2028. A expectativa é gerar 450 milhões de euros em sinergias (R$ 2,52 bilhões), resultado da integração de rotas, frota e sistemas de fidelidade.

Por que Bruxelas deve aprovar sem grandes traumas

O CEO Carsten Spohr classificou a aquisição como uma “combinação perfeita”. O otimismo tem base regulatória: diferentemente da compra da italiana ITA Airways — ainda sob escrutínio da Comissão Europeia por sobreposição de rotas —, a TAP tem malha complementar à da Lufthansa.

O grupo alemão já controla Austrian Airlines, SWISS, Brussels Airlines e a própria ITA. A adição de Lisboa como hub fortalece o Atlântico Sul sem criar monopólios óbvios nos corredores intraeuropeus. Isso acelera o aval antitruste.

O impacto direto para quem voa e investe

Para o passageiro corporativo, a integração ao programa Miles & More e ao Star Alliance tende a simplificar conexões entre Brasil, África e Europa. A TAP é a estrangeira que mais voa para o Brasil; sinergias de malha podem reduzir escalas e ampliar frequências.

Do lado do investidor, a entrada do Estado português no capital da Lufthansa cria um “pilar de estabilidade” político. Governos raramente vendem participações estratégicas em carriers nacionais sem garantir influência de longo prazo.

O que observar nos próximos 12 meses

A transição não é automática. O cronograma até 2028 prevê:

  • Aprovação da Comissão Europeia (fase 1).
  • Reestruturação de dívida e frota da TAP (em andamento).
  • Negociação da fatia remanescente de 50,1% — onde o preço e a governança serão o verdadeiro teste de fogo.

Se a Lufthansa conseguir replicar o modelo aplicado à SWISS — autonomia operacional com gestão centralizada de custos —, a TAP deixa de ser um “problema português” para virar motor de lucro do grupo. O mercado já precificou a primeira etapa; a valorização real virá da execução da segunda.