Economia

Você não vai acreditar: Candidato promete revogar 1.000 normas de uma vez

Flávio Bolsonaro discursa em evento empresarial prometendo revogar mil normas federais
Senador Flávio Bolsonaro anuncia revogação de mais de mil atos normativos em encontro com empresários

Flávio Bolsonaro (PL) anunciou a revogação de mais de mil atos normativos federais como medida de abertura de seu eventual governo. A promessa, feita a empresários em São Paulo, mira destravar a burocracia que, segundo ele, paralisa investimentos. Mas será que a caneta presidencial tem força para apagar esse volume de regras sem o Congresso?

O anúncio ocorreu na terça-feira (13), durante o “Grande Encontro do Associativismo”, reunindo lideranças do comércio, indústria e agronegócio. O candidato afirmou ter a equipe e o mapeamento prontos para executar o “revogaço” nos primeiros dias de gestão.

O peso do Estado no bolso do empresário

No discurso, Bolsonaro classificou a atual gestão federal como um obstáculo ativo à produção. Ele acusou o governo Lula de “massacar quem investe” através de uma carga tributária que empurra a atividade econômica para a informalidade e a sonegação.

A tese central é a de que o excesso de normas não organiza, mas cria brechas para a atuação predatória de fiscais. “As regras serviram apenas para gerar entraves e permitir que maus fiscais achacassem os produtores”, declarou o candidato, prometendo uma equipe dedicada a “tirar o peso do Estado de quem quer empreender”.

Reação imediata no mercado futuro

O candidato vincula sua presença no segundo turno a uma resposta positiva imediata dos indicadores financeiros. Ele citou dados concretos que teriam ocorrido após o resultado do primeiro turno:

  • Queda de 2% na taxa de juros futuros;
  • Redirecionamento de R$ 220 bilhões no orçamento;
  • Redução da fatia destinada ao serviço da dívida pública.

Esses números, se confirmados na prática, sinalizam uma aposta do mercado na mudança de rumo fiscal e regulatório. A ponte entre a promessa de desburocratização e o custo do dinheiro é o ponto que mais atrai a atenção de investidores.

O dossier de “recordes negativos” atribuídos ao PT

Para embasar a narrativa de ruptura, o candidato elencou uma série de indicadores sociais e econômicos que classifica como fracassos da gestão petista. A lista funcionou como argumento para justificar a urgência das medidas propostas:

  • Escândalos de corrupção;
  • Recordes de queimadas e desmatamento;
  • Escolas fechadas e déficit educacional;
  • Desindustrialização e fuga de fábricas para o exterior;
  • Altos índices de violência contra a mulher.

Insegurança jurídica: o inimigo invisível

Além da burocracia escrita, Flávio Bolsonaro apontou a instabilidade nas decisões do Poder Judiciário como a maior dor de cabeça do setor produtivo hoje. A imprevisibilidade jurídica, segundo ele, congela contratos de longo prazo e afasta capital estrangeiro.

O candidato acusou o atual chefe do Executivo de se beneficiar da “ignorância da população” para manter o status quo e finalizou afirmando que o governo Lula “roubou a esperança do povo brasileiro”. A retórica eleva a temperatura do debate, mas coloca em evidência um fator de risco real para quem aloca capital: a previsibilidade das regras do jogo.

O que observar daqui para frente

A viabilidade de revogar mil atos normativos por decreto esbarra na hierarquia das leis: muitas normas decorrem de leis aprovadas pelo Congresso, não de simples portarias ministeriais. O investidor deve monitorar a articulação política do candidato com o Legislativo e a reação do mercado às pesquisas de segundo turno. O próximo passo prático será a divulgação da lista preliminar das normas alvo, o que permitirá avaliar setores mais impactados — do agronegócio à indústria de transformação.