Economia

Maçã brasileira bate recorde, explode exportações e fica 16% mais barata

Maçãs brasileiras frescas em caixa de madeira, safra recorde de 1,6 milhão de toneladas
Safra histórica transforma Brasil em exportador para 93 países e derruba preço em 16%.

O Brasil colheu 1,6 milhão de toneladas de maçã na safra atual, volume inédito que transforma o país de importador histórico em fornecedor para 93 nações. O salto produtivo de 88% frente à média recente derrubou o preço da fruta em 16% nas gôndolas paulistanas, mas conflitos no Oriente Médio frearam a meta de 100 mil toneladas exportadas.

Exportações disparam 274%, mas geopolítica impõe teto

Entre janeiro e setembro, os embarques somaram 49 mil toneladas, alta de 274% sobre igual período do ano anterior. A Índia liderou as compras com 18 mil toneladas, seguida por Arábia Saudita, Rússia, Portugal e Irlanda.

A meta da associação do setor (ABPM) era ultrapassar 100 mil toneladas vendidas ao exterior. O principal obstáculo não foi a oferta, mas a instabilidade no Oriente Médio, destino tradicional da fruta brasileira. Como consequência, as importações nacionais recuaram 41%, para 84 mil toneladas, sinalizando autossuficiência crescente.

Duopólio sulino e tecnologia de ponta no pomar

Santa Catarina e Rio Grande do Sul respondem por 90% da produção nacional. A busca por qualidade e volume elevou o investimento em insumos biológicos: a Rasip Agro, referência desde os anos 1970, mobilizou 350 milhões de abelhas para a polinização da safra 2026/27.

  • 6.400 colmeias distribuídas em 1.385 hectares;
  • Aumento de 17% no número de colmeias frente à safra passada;
  • Operação logística envolvendo 27 fornecedores de enxames.

Para a diretoria da empresa, a polinização controlada é o diferencial que garante frutos padronizados e alta produtividade, complementando o pacote tecnológico de manejo climático e genética.

Safra 2026/27 largada com clima favorável

O inverno rigoroso e a florada abundante criaram cenário otimista para o próximo ciclo, com colheita das variedades Gala e Fuji prevista para o início de 2027. A entidade setorial evita projetar números, mas admite que a base climática atual repete as condições que levaram ao recorde atual.

Enquanto a colheita futura amadurece, a estratégia comercial mira a diversificação de destinos. México e Malásia estão no radar para reduzir a dependência de mercados voláteis, especialmente no Golfo Pérsico.

Ganho real para o consumidor doméstico

A supersafra não ficou restrita ao balanço comercial. Dados da Fipe confirmam que, de janeiro a setembro, a maçã ficou 16% mais barata em supermercados e feiras de São Paulo. O aumento da oferta interna, somado à menor necessidade de importação, transferiu ganho de escala direto para o varejo.

O que observar nos próximos trimestres

A consolidação do Brasil como player global dependerá de três variáveis: a abertura sanitária de novos mercados (México e Malásia), a estabilidade logística no Mar Vermelho e a manutenção do padrão climático favorável no Sul. Se o cenário se mantiver, a tendência é de novos recordes e pressão contínua sobre preços internos, beneficiando a margem do varejista e o poder de compra das famílias.