Economia

Raízen dispara 33%: o cenário político que pode virar o jogo para a gigante de Ometto

Gráfico de alta das ações da Raízen com background de usina de cana-de-açúcar e silhueta do Congresso Nacional
Ações da Raízen disparam 33% em 30 dias impulsionadas por expectativas políticas sobre privatizações

A Raízen, maior processadora de cana do mundo e braço de energia do grupo Cosan, viu suas ações saltarem 33% em apenas trinta dias — após uma queda de 55% no acumulado do ano. O gatilho não foi um balanço trimestral nem um contrato bilionário. Foi a leitura do mercado sobre um tabuleiro político que ainda nem existe: a possibilidade de Flávio Bolsonaro chegar à Presidência e reativar o programa de privatizações do governo anterior.

Uma fonte próxima à companhia confirma: se a agenda de desestatização da Petrobras voltar à mesa, com destaque para as refinarias, grandes fundos internacionais — especialmente do Oriente Médio — tendem a retomar o apetite pelo Brasil. E a distribuidora da Raízen, que está sendo separada do negócio de açúcar, etanol e bioenergia, entra no radar como ativo estratégico.

Por que a cisão muda tudo

A estrutura atual é um nó. A Raízen Energia (açúcar, etanol, bioenergia) e a Raízen Combustíveis (distribuição) operam sob o mesmo guarda-chuva, mas com dinâmicas de caixa e risco distintas. Em maio, o presidente da Cosan, Marcelo Martins, admitiu publicamente que o grupo avalia vender toda a participação na Raízen.

Na semana passada, a Raízen Energia aprovou o pedido de listagem em Bolsa — passo decisivo para a separação completa. O movimento faz parte do plano de recuperação extrajudicial protocolado pela holding. Enquanto a cisão não sai, porém, qualquer negociação de controle fica travada.

  • Recuperação extrajudicial: protocolada para reorganizar dívidas e viabilizar a separação dos ativos.
  • Listagem da Raízen Energia: aprovada na semana passada; prevista para concretizar a cisão.
  • Interesse da IG4: gestora mira participação majoritária via compra de dívida, mas fonte próxima diz que negócio não anda antes da separação.

O elo com a Petrobras e o capital árabe

A lógica dos investidores é direta: uma Petrobras dona de refinarias afasta capital privado de grande porte. Fundos soberanos e grupos de energia do Golfo Pérsico preferem mercados onde a estatal não compete com o setor privado na transformação de petróleo. Se as refinarias forem a leilão, o Brasil volta a ser destino prioritário — e a maior distribuidora independente do país vira peça de xadrez.

Não por acaso, a alta de 33% no último mês coincidiu com o aumento das apostas políticas em torno do nome de Flávio Bolsonaro. O mercado antecipa cenários; não espera confirmação.

O que observar daqui para frente

Três variáveis ditam o próximo capítulo: o cronograma da cisão da Raízen Energia, a disposição da Cosan em fechar a venda da participação antes ou depois da separação, e a evolução do cenário eleitoral — que, por enquanto, vive no campo da especulação. A Raízen, consultada, não comentou.

Para quem acompanha o setor, o sinal claro é: a reestruturação societária está andando. O resto — privatizações, entrada de fundos árabes, troca de controle — depende de variáveis que o mercado precifica, mas não controla. O próximo trimestre dirá se a alta de 33% foi apenas um respiro ou o início de uma reprecificação estrutural.