Economia

FMI alerta: inflação volta a assombrar América Latina e Brasil freia em 2026

Silvana Tenreyro do FMI alerta sobre inflação na América Latina e crescimento do Brasil
Economista-chefe do FMI projeta inflação a 4,2% em 2025 e crescimento brasileiro a 2,2% em 2026

A economista-chefe do FMI, Silvana Tenreyro, acaba de soltar um aviso direto: a inflação na América Latina vai subir para 4,2% em 2025 e 4,1% em 2026. Para o Brasil, a previsão de crescimento caiu para 2,2% no ano que vem.

O recado veio durante a assembleia geral do Fundo em Bangcoc. A região cresce menos, paga mais caro pela energia e ainda não colhe os frutos da inteligência artificial.

O choque energético atinge cada país de um jeito

A guerra no Oriente Médio não bate igual em todos. Exportadores de petróleo ganham fôlego; importadores veem a conta subir. Tenreyro foi clara: bancos centrais precisam evitar efeitos secundários — tanto nos preços ao consumidor quanto nas expectativas de inflação.

Venezuela e Argentina seguem no radar de risco hiperinflacionário. Mas o alerta vale para todos: a inflação tem sido, historicamente, o “calcanhar de Aquiles” da região.

Brasil: crescimento menor, mas não é colapso

  • PIB 2025 (região): 2,3% — queda de 0,1 p.p. versus julho
  • PIB 2026 (região): 2,5%
  • Brasil 2026: 2,2% (revisão para baixo)
  • Mundo 2026: 3,1% (ligeira alta)

A Argentina ilustra a volatilidade: cresceu 4,5% em 2024, mas deve frear para 2,1% este ano. A subdiretora Petya Koeva vê recuperação no último trimestre e aceleração em 2027-2028, impulsionada por termos de troca favoráveis, afrouxamento financeiro e volta dos investimentos.

Onde está a IA na história?

Tenreyro foi direta: a inteligência artificial “não tem sido, até agora, um motor muito forte na região”. Enquanto Ásia e economias avançadas surfam a onda, a América Latina assiste da arquibancada. Isso explica parte da diferença de dinamismo.

O gap tecnológico não é detalhe. Produtividade estagnada significa crescimento potencial mais baixo — e menos espaço para absorver choques externos sem inflação.

O que observar daqui pra frente

Três variáveis ditam o ritmo dos próximos trimestres: a trajetória do petróleo (e se a guerra escala), a velocidade do afrouxamento monetário global e a capacidade da região de atrair capital para infraestrutura e inovação. O FMI volta a se reunir em abril — lá, os números dirão se o alerta virou ação.