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Você não vai acreditar no truque de R$ 0,66 para driblar o pedido mínimo no iFood

Captura de tela do iFood mostrando item "Avalie seu pedido" por R$ 0,66 com quantidade 56 para atingir pedido mínimo
Print viral mostra truque de 56 avaliações a R$ 0,66 cada para driblar valor mínimo no iFood

Um cliente pediu um prato de frango assado por R$ 19,44 em um restaurante onde o valor mínimo era R$ 20. Para fechar a conta sem adicionar outro prato, ele encontrou um item curioso no cardápio: “Avalie seu pedido”, custando R$ 0,66 cada. A solução? Adicionar 56 avaliações ao carrinho. O print da tela viralizou no X (antigo Twitter) e expôs uma falha criativa no sistema de entregas.

O cálculo que quebrou a internet

O usuário Diego Marcondes publicou a captura de tela nesta quarta-feira (30/9). No carrinho, apareciam o frango individual e dezenas de linhas idênticas de “avaliação”. Inicialmente, ele mencionou 66 cliques, mas corrigiu depois: bastavam 56 unidades para atingir os R$ 20 exigidos pelo estabelecimento.

O custo extra foi de apenas R$ 36,96 (56 x R$ 0,66), totalizando R$ 56,40 — bem acima do mínimo, mas tecnicamente válido pelo sistema. A postagem acumulou milhares de interações em poucas horas.

Genialidade ou risco de ‘sabor especial’?

A reação dos internautas dividiu-se entre admiração e temor. Muitos classificaram a jogada como “ideia boa” e pediram para “abrir as escolas” diante da criatividade. Outros, porém, alertaram para a retaliação da cozinha: “Tenho certeza que cospem no prato de quem faz isso. Jamais teria coragem”, escreveu um usuário.

Marcondes fez questão de responder aos preocupados. Segundo ele, a entrega foi rápida e o pedido chegou em perfeitas condições, sem nenhum “ingrediente surpresa”.

Por que o pedido mínimo existe mesmo?

O iFood explica em seu site institucional que o valor mínimo não é uma taxa extra, mas uma garantia de viabilidade operacional. Cada entrega envolve custos fixos: mão de obra para preparo, embalagens, insumos e logística. Sem o piso de valor, pedidos de baixo ticket gerariam prejuízo direto.

Dados da própria plataforma indicam que essa prática é essencial para 68% dos restaurantes cadastrados no aplicativo. A pesquisa interna aponta que, sem o piso, muitos estabelecimentos seriam forçados a:

  • Remover itens de baixo valor do cardápio digital;
  • Ou elevar os preços gerais para compensar as perdas.

O dilema da taxa de entrega

A empresa argumenta ainda que simplesmente aumentar a taxa de entrega para cobrir esses custos — e extinguir o pedido mínimo — afastaria o consumidor. Pagar R$ 15 de frete em um lanche de R$ 12 torna a compra irracional para a maioria dos clientes. O pedido mínimo, portanto, funciona como um filtro que mantém a operação sustentável sem assustar o usuário na tela final.

O item ‘fantasma’ no cardápio

O caso expõe uma fragilidade na curadoria dos menus digitais. Itens de “avaliação” ou “taxa de serviço” com preços irrisórios (R$ 0,66) não deveriam ser contabilizados para atingir o valor mínimo de produtos alimentícios. Trata-se de um erro de configuração do restaurante ou da plataforma ao permitir que itens não comestíveis componham o subtotal.

O que observar daqui para frente

Plataformas de delivery devem revisar as regras de validação do carrinho para excluir itens de serviço do cálculo do pedido mínimo. Restaurantes, por sua vez, precisam auditar seus cardápios digitais semanalmente para evitar brechas semelhantes. Para o empresário do setor, o episódio serve de alerta: a automação do cardápio exige governança ativa, ou “macetes” virais transformam prejuízo operacional em caso de reputação.