A Toyota obteve aval para ingressar no regime de grandes investimentos da Argentina (RIGI) com um aporte de US$ 1,3 bilhão em Zárate, o maior da história automotiva do país vizinho. O projeto prevê a fabricação de um veículo eletrificado ainda não revelado e a criação de mais de 6 mil postos de trabalho ao longo das etapas.
A aprovação destrava a fase final de análise, mas a montadora mantém sigilo sobre a data da decisão definitiva e o cronograma de início da produção. O que se sabe até agora já redesenha o tabuleiro industrial da região.
O tamanho do aporte e o recorde histórico
O valor de US$ 1,3 bilhão supera qualquer investimento anterior do setor automotivo argentino, segundo dados do governo e da própria companhia. O recurso será alocado na ampliação do complexo industrial de Zárate, na província de Buenos Aires, incluindo a construção de uma nova nave fabril, conforme antecipou o jornal Clarín.
A unidade opera desde 1997 e hoje responde pela produção das picapes Hilux e SW4, além da van Hiace, abastecendo o mercado local e outros países da América Latina. A adição de um modelo eletrificado sinaliza a transição tecnológica da planta.
Empregos: impacto imediato e estrutura permanente
A geração de renda está dividida em dois momentos distintos, somando cerca de 6,2 mil posições entre diretas e indiretas:
- Fase de construção: aproximadamente 3,6 mil postos;
- Fase de operação: cerca de 2,6 mil postos sustentados.
Esse volume de contratações deve aquecer a cadeia de fornecedores locais e a economia de Zárate, cidade que cresceu em torno da fábrica nas últimas décadas.
O que falta para a produção começar
A inclusão no RIGI garante benefícios fiscais, cambiais e aduaneiros essenciais para a viabilidade do projeto. No entanto, a Toyota ainda não submeteu o pedido final de investimento ao comitê gestor do regime.
Não há prazo público para essa entrega, nem para o anúncio de qual modelo eletrificado — híbrido, plug-in ou 100% elétrico — ocupará a nova linha. A indefinição mantém o mercado em expectativa sobre o posicionamento da marca na transição energética regional.
Metas de volume e o cenário para 2026
Enquanto o novo projeto amadurece, a fábrica atual mantém ritmo forte. Projeções do Clarín indicam que a planta deve superar 183 mil unidades produzidas em 2026, puxada pela demanda constante por Hilux e SW4.
Esse patamar de volume demonstra a capacidade ociosa que a estrutura atual ainda possui, o que pode acelerar a integração do novo modelo eletrificado sem gargalos logísticos imediatos.
O que observar nos próximos meses
A assinatura do contrato final de adesão ao RIGI será o gatilho definitivo para o início das obras. Investidores e fornecedores devem monitorar:
- A definição tecnológica do novo veículo (híbrido flex, BEV ou FCEV);
- O cronograma de contratações para a obra civil;
- Possíveis anúncios de parceiros locais para baterias ou componentes eletrificados.
O movimento da Toyota em Zárate funciona como termômetro para a atratividade do RIGI e para a velocidade da eletrificação na América do Sul. Quem acompanha a cadeia automotiva ganha um termômetro real de onde o capital de longo prazo está disposto a apostar.
