A Tahto, gigante brasileira de customer experience (CX) e BPO, acaba de vencer a etapa mais crítica de sua reestruturação: o plano de recuperação judicial foi aprovado por credores na terça-feira (29). A consequência imediata? A porta se abre para a venda do controle acionário a um grupo com atuação internacional.
Com um passivo inicial de R$ 830 milhões — concentrado em dívidas trabalhistas e operacionais —, a companhia caminhava na corda bamba desde que a controladora, Grupo Oi, teve a falência decretada em agosto por dívidas superiores a R$ 44 bilhões. Mas a Tahto manhou processo próprio e, diferentemente da mãe, segue operando.
Operação blindada durante a tempestade
Enquanto a Justiça do Rio de Janeiro liquidava a Oi, a Tahto não parou. Pelo contrário: ampliou contratos e inaugurou novas unidades mesmo sob o peso da reestruturação financeira. Esse fôlego operacional é o principal ativo que torna a empresa atraente para compradores de fora.
Para o CEO Luís Ricardo Ferreira, a aprovação do plano “permite avançar com segurança na venda da companhia e seguir construindo perspectivas positivas para a Tahto, nossos colaboradores, clientes e parceiros”. A frase sinaliza que o processo competitivo pela aquisição deve ganhar velocidade nas próximas semanas.
Por que investidores estrangeiros olham para a Tahto
- Escala consolidada: uma das maiores operações de CX/BPO do país
- Carteira diversificada: clientes em telecom, varejo, financeiro e saúde
- Turnaround comprovado: crescimento durante a crise, não depois dela
- Passivo endereçado: plano aprovado remove a incerteza jurídica imediata
O setor de terceirização de processos e experiência do cliente vive onda de consolidação global. Fundos de private equity e estratégicos estrangeiros buscam ativos com receita recorrente em moeda forte (via contratos dolarizados) e base de talentos em português — diferencial para atender mercado latino-americano e lusófono.
O que observar daqui para frente
A assembleia de credores foi o gatilho. Agora, a expectativa do mercado gira em torno de três variáveis: valor da transação, estrutura de governança pós-venda e manutenção da equipe de gestão. Qualquer desequilíbrio nesses pontos pode afetar a continuidade dos contratos atuais — o verdadeiro “ativo invisível” da companhia.
Para quem acompanha o setor, o caso Tahto virou termômetro: é possível separar uma operação saudável de uma controladora falida quando a reestruturação é bem conduzida. O desfecho da venda dirá se o modelo serve de roteiro para outras empresas do ecossistema Oi — e para o mercado de BPO como um todo.
Próximos passos práticos: monitorar comunicados ao mercado sobre data do leilão ou negociação exclusiva, composição do novo board e eventuais cláusulas de earn-out atreladas a metas de EBITDA. São esses detalhes que definirão se a “tahto” estrangeira manterá o ritmo de expansão ou apenas fará gestão de ativos.
