Economia

Bitcoin rompe US$ 85 mil e caminha para melhor setembro em uma década

Gráfico de alta do Bitcoin superando US$ 85 mil com velas verdes
Bitcoin atinge US$ 85 mil impulsionado por dado de inflação PCE abaixo do esperado.

O Bitcoin (BTC) superou a marca de US$ 85 mil nesta quarta-feira (30) após o índice de preços PCE — a medida de inflação preferida do Federal Reserve — vir abaixo das expectativas em agosto. A criptomoeda acumula valorização superior a 1,6% desde a divulgação do dado e encaminha-se para o melhor desempenho mensal de setembro desde 2013.

O dado que mudou o jogo

O PCE cheio avançou 0,3% no mês, contra projeção de 0,4% do consenso FactSet. Na base anual, a alta ficou em 3,4%, abaixo dos 3,7% estimados. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, subiu apenas 0,2% na margem e 3% em 12 meses — também aquém das previsões de 0,3% e 3,3%, respectivamente.

Para Pedro Fontes, analista de research do Mercado Bitcoin, o resultado “trouxe exatamente o tipo de surpresa que o mercado cripto precisava”. A leitura reduz a pressão por novas elevações de juros pelo Fed em um momento em que as taxas longas americanas ainda operam em patamares historicamente elevados.

Probabilidade de alta em outubro despenca

Antes mesmo do PCE, dados fracos de vagas de emprego e confiança do consumidor nos EUA já haviam derrubado as apostas em novo aperto monetário em outubro. A probabilidade implícita caiu de 70,9% para cerca de 51,5% na terça-feira (29). O número de inflação reforçou essa trajetória.

A Bitfinex, em relatório de segunda-feira (28), já antecipava que um núcleo do PCE em 0,2% “retiraria a restrição que sustenta o cenário-base e melhoraria as perspectivas de um rompimento do BTC para cima”. A condição foi atendida.

Fluxo institucional mantém fôlego

A demanda por exposição regulada ao ativo segue robusta. Os ETFs de Bitcoin à vista listados nos EUA registraram a nona sessão consecutiva de entradas líquidas na terça-feira, captando US$ 66,2 milhões, segundo dados da SoSoValue.

  • IBIT (BlackRock): principal vetor de entradas
  • ARKB (Ark Invest/21Shares): segundo maior fluxo do dia

Esse movimento contínuo de captação sinaliza apetite sustentado por parte de gestores e allocators institucionais, não apenas especulação de varejo.

Níveis técnicos a observar

No curto prazo, Fontes aponta a região de US$ 87 mil — máxima recente — como primeiro alvo. Se rompida, a resistência técnica seguinte passa a ser a média móvel de 100 semanas, situada próxima a US$ 89,7 mil.

O analista destaca que a reação atual “reforça a importância da defesa recente dos US$ 82 mil”, patamar que funcionou como suporte nas últimas semanas e evitou correção mais profunda.

Setembro atípico para a maior criptomoeda

Historicamente, setembro costuma ser mês negativo para o Bitcoin. Em 2024, porém, a criptomoeda caminha para fechar o período com alta superior a 7% — o melhor resultado para o nono mês do ano desde 2013, quando o ativo ainda engatinhava em adoção e liquidez.

O que monitorar nas próximas sessões

O fechamento mensal desta quarta-feira consolida o cenário técnico favorável. Daqui em frente, três variáveis ditam o ritmo: a evolução das apostas de juros do Fed (com foco no payroll de outubro), a manutenção do fluxo positivo nos ETFs americanos e a capacidade do BTC de converter a região dos US$ 87 mil em novo suporte. Rompimento sustentado acima da média de 100 semanas abriria espaço para teste das máximas históricas ainda no quarto trimestre.