O streamer Bruno “Nobru” Goes confirmou que o bloqueio das casas de apostas no Brasil atingiu em cheio seus planos pessoais. Durante transmissão ao vivo no YouTube na quinta-feira (25), o influenciador contou que destinaria R$ 300 mil para um chá revelação do primeiro filho — evento que agora precisará ser reavaliado.
A fala viralizou em minutos. Trechos da live circularam no X, Instagram e TikTok, gerando debate sobre a dependência de criadores de conteúdo em relação a patrocínios de bets. Mas o caso de Nobru expõe algo maior: a fragilidade de um modelo de receita que sustentava não só influenciadores, mas times de futebol, eventos e até produções audiovisuais.
O que mudou na prática para os criadores
Com a portaria do Ministério da Fazenda que passou a valer em 1º de outubro, apenas empresas autorizadas podem operar. Das mais de 200 marcas que atuavam no país, menos de 100 obtiveram licença na primeira leva. O resultado foi imediato: contratos suspensos, pagamentos travados e cláusulas de rescisão acionadas.
Nobru não detalhou valores de contratos ativos, mas admitiu que a previsibilidade financeira desapareceu. “Tinha coisa planejada, grana contada”, disse na live. O chá revelação de R$ 300 mil virou símbolo de um cenário que atinge dezenas de influenciadores de médio e grande porte.
Impacto direto no bolso: números do setor
- R$ 120 bilhões: volume apostado por brasileiros em 2023, segundo o Banco Central
- 83%: queda no tráfego para sites de bets não licenciados nas duas primeiras semanas de outubro
- R$ 30 milhões: estimativa de patrocínio mensal apenas aos 10 maiores streamers de games no Brasil
Esses dados mostram por que o “inverno das bets” não é só discurso. Para cada grande nome que aparece reclamando, existem centenas de microinfluenciadores que perdiam a única fonte de renda recorrente.
E agora? O que observa o mercado
Agências de marketing de influência já relatam mudança de rota. Marcas de varejo, fintechs, games e bebidas não alcoólicas voltaram a prospectar criadores que antes estavam “fechados” com bets. O ticket médio caiu — um patrocínio de bet podia pagar 3 a 5 vezes mais que um contrato tradicional —, mas a segurança jurídica compensa.
Nobru, por sua vez, tem diversificação: organização de e-sports (Fluxo), linha de produtos, receita direta de plataformas. Ainda assim, o susto é real. O influenciador encerrou a live sugerindo que o evento do bebê “vai acontecer, mas no tempo certo”.
O que observar nas próximas semanas
Três movimentos merecem atenção de quem vive de internet ou investe no setor:
- Segunda leva de licenças do Ministério da Fazenda — prevista para novembro — pode reativar parte dos contratos pausados
- Migração de verba para marketing de performance (afiliados, CPA) em vez de patrocínio fixo
- Pressão por autorregulação de influenciadores: diretrizes de publicidade responsável devem sair até dezembro
Para o público, fica a lição: a economia dos criadores ainda é volátil. O que parece receita garantida hoje pode virar “chá revelação adiado” amanhã. Acompanhar a regulação não é burocracia — é sobrevivência.
