O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) propõe usar a força da União contra governadores que se recusarem a integrar seu plano nacional de segurança. A declaração, feita durante agenda em Salvador, coloca o confronto federativo no centro da campanha.
Em coletiva diante da Reitoria da UFBA, o postulante não detalhou os instrumentos jurídicos para viabilizar a medida. Afirmou apenas que a colaboração dos chefes dos Executivos estaduais será inegociável.
O que está em jogo no tabuleiro federativo
A Constituição prevê intervenção federal em hipóteses taxativas: manutenção da integridade nacional, repúdio à invasão estrangeira, garantia do livre exercício dos Poderes, reorganização das finanças estaduais e execução de lei ou ordem judicial. Especialistas divergem se o combate ao crime organizado, por si só, enquadra-se nessas cláusulas sem decreto de estado de sítio ou calamidade.
Santos condicionou o apoio financeiro e operacional da União à adesão dos governadores. “Não colaborou, nós vamos meter uma interferência, uma intervenção no estado”, disse textualmente. A fala sinaliza uso de pressão política e orçamentária como ferramentas de coerção.
Nordeste no centro da estratégia
O candidato identificou dois “problemas gravíssimos” na região: a dependência de transferências federais para sobrevivência das famílias e a erosão do tecido social provocada por facções criminosas. A receita proposta combina dois vetores:
- Desenvolvimento energético: corte de despesas federais para financiar infraestrutura, com ênfase no potencial de geração de energia.
- Enfrentamento direto às facções: ação coordenada para “destruição” das organizações criminosas.
Questionado especificamente sobre a Bahia, Santos relatou ter recebido ameaças após denunciar dinâmicas de controle territorial em comunidades de Salvador. Descreveu restrições ao uso de roupas e símbolos impostas por grupos armados, com punição letal para desobediência.
Posicionamento sobre bets e lavagem de dinheiro
O candidato defendeu a proibição total de casas de apostas esportivas no país, incluindo as legalizadas. Argumentou que o setor funciona como mecanismo de lavagem de ativos e vetor de endividamento e dependência psicológica.
Criticou o timing da regulação promovida pelo governo Lula durante período eleitoral, sem transição para clubes e veículos de comunicação que haviam firmado contratos de patrocínio. Para Santos, a medida teve motivação eleitoreira.
Ruptura com as duas principais forças políticas
Santos descartou alianças ou apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) em eventual segundo turno. Acusou ambos de envolvimento no escândalo do Banco Master — citando recebimento de recursos para produção cinematográfica no primeiro caso e conexões partidárias na Bahia no segundo.
Afirmou ter estruturado seu partido para oferecer “a opção de não precisar votar em bandidos” e reiterou a meta de chegar ao segundo turno.
O que observar nas próximas semanas
A viabilidade jurídica da intervenção federal proposta dependerá de interpretação do STF e de articulação no Congresso. O discurso de corte de despesas para financiar infraestrutura energética no Nordeste exigirá detalhamento orçamentário. A promessa de banir todas as bets colide com legislação recém-aprovada e contratos vigentes. A campanha de Santos tentará converter a retórica de confronto em capital eleitoral nas regiões mais afetadas pela violência.
