A partir de 1º de outubro, a rodovia Washington Luís (SP-310) passa a ser monitorada por câmeras com inteligência artificial no quilômetro 438, nos dois sentidos. O sistema flagra motoristas ao celular ou sem cinto de segurança 24 horas por dia, mesmo com o veículo em movimento. Mas a tecnologia é apenas a ponta visível de uma estratégia maior.
Quem passa pelo trecho urbano da SP-310 — usado diariamente como ligação entre bairros de São José do Rio Preto — já percebeu que a dinâmica do tráfego mistura velocidade de estrada com paradas de avenida. É exatamente nesse ponto que o risco se concentra.
O trecho que lidera o ranking de acidentes
Entre os quilômetros 430 e 454, que cortam Rio Preto e Mirassol, foram registrados 373 acidentes apenas entre janeiro e agosto de 2026. O dado vem de levantamento da concessionária Ecovias Noroeste Paulista, responsável pela operação dos equipamentos.
As colisões traseiras continuam no topo das ocorrências, embora tenham caído 17,7% em relação ao mesmo período de 2025: de 214 para 176 casos. A redução é positiva, mas o volume ainda sinaliza um padrão claro: distração ao volante.
- 373 acidentes em oito meses (jan–ago/2026)
- 176 colisões traseiras — queda de 17,7% vs. 2025
- Trecho urbano com fluxo misto: estrada + avenida
Como funciona a fiscalização na prática
A Ecovias entra com infraestrutura, câmeras e manutenção. A análise das imagens e a aplicação das multas ficam a cargo da Polícia Militar Rodoviária. O capitão Maurício Noé Cavalari, comandante da 3ª Companhia da PMRv, resume o objetivo: reduzir infrações para, em cascata, diminuir acidentes e vítimas.
O sistema opera com alta resolução dia e noite. Diferente da fiscalização tradicional — que dependia da presença física do policial —, a IA identifica a ausência do cinto e o manuseio do celular automaticamente, enviando o registro para validação humana antes da autuação.
O custo real de cada infração
Muita gente sabe que é multa. Poucos dimensionam o impacto financeiro e no prontuário da CNH:
- Celular ao volante: infração gravíssima — R$ 293,47 + 7 pontos
- Sem cinto de segurança: infração grave — R$ 195,23 + 5 pontos
Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), digitar uma mensagem tira os olhos da pista por 4,5 segundos em média. A 80 km/h, são quase 100 metros às cegas. Já o cinto reduz o risco de morte em 45% a 60% nos bancos dianteiros e 44% a 75% nos traseiros.
Por que o foco nesse trecho agora
A concessionária aponta que os números reforçam a necessidade de combater comportamentos de risco justamente onde a rodovia vira “rua”. Motoristas locais tendem a relaxar a atenção, tratar acostamento como faixa extra e ignorar o cinto em deslocamentos curtos.
A tecnologia não substitui o policiamento — ela amplia o alcance. Enquanto uma viatura cobre um ponto fixo, as câmeras vigiam simultaneamente os dois sentidos, sem pausa, sem ponto cego.
O que observar daqui para frente
A entrada em operação em 1º de outubro marca o início de um teste real de escala. Se os indicadores de acidentes — especialmente traseiras — seguirem caindo acima da média histórica, o modelo deve ser replicado em outros trechos urbanos de concessão paulista. Para quem dirige na região, a mensagem é direta: o cinto e o celular guardado deixaram de ser escolha. Viraram variável monitorada.
