Economia

Títulos da CSN disparam 5%: A aposta bilionária no novo CEO

Foto de Fabio Schvartsman, novo CEO da CSN, com gráfico de alta de 5% nos títulos de dívida
Novo CEO da CSN, Fabio Schvartsman, impulsiona alta de 5% nos bonds da siderúrgica

Os papéis de dívida externa da CSN lideram os ganhos entre emergentes desde o anúncio do novo presidente, com alta de 5% contra queda de 0,5% do índice da categoria. O mercado aposta que Fabio Schvartsman, ex-Vale, conseguirá destravar o plano de vendas de ativos que se arrasta há anos. Mas a execução ainda é uma incógnita.

A troca de comando que mudou o humor dos credores

A nomeação de Schvartsman em 2 de setembro quebrou um ciclo de duas décadas sob Benjamin Steinbruch, que permanece no conselho. A entrada de um executivo de fora da família controladora foi lida como sinal verde para negociações mais pragmáticas.

Analistas classificam a mudança como “simbólica”, mas eficaz. O novo CEO carrega a credibilidade de quem dobrou o Ebitda da Klabin com o projeto Puma 1 e geriu a Vale em momentos críticos. Isso reduz o prêmio de risco exigido pelos detentores de bônus.

Cimento e aço alemão: os ativos na vitrine

A venda da unidade de cimento é a prioridade imediata. Três ofertas vinculantes chegaram à mesa:

  • Huaxin
  • Votorantim
  • Polimix

Todas giram em torno de R$ 11 bilhões, abaixo dos R$ 15 bilhões iniciais. A aceitação do valor menor depende da urgência de caixa. O ativo serve de garantia para um empréstimo de US$ 1,2 bilhão contratado em março.

Paralelamente, a siderúrgica alemã SWT — comprada em 2012 por US$ 634 milhões — e participações em infraestrutura também estão em negociação. A estratégia agora prevê fatiar as vendas em vez de buscar um comprador único para o pacote de infraestrutura.

O balanço que justifica a pressa

Mesmo com a recuperação recente, os títulos ainda acumulam perdas de dois dígitos no ano. A razão está nos fundamentos:

  • Dívida líquida: R$ 42,1 bilhões (junho/2024)
  • Alavancagem (Dívida Líquida/Ebitda): 3,5 vezes
  • Prejuízo líquido ajustado (2T24): R$ 773 milhões — 10º trimestre seguido no vermelho

Juros de dois dígitos no Brasil e concorrência de aço importado consumiram a geração de caixa. A última vez que a CSN vendeu o controle de um negócio foi em 2018, com a CSN LLC nos EUA por US$ 400 milhões.

O que separa a esperança da realidade

Gestores como Manuel Mondia (Aquila) e Cesar Fernandez (Alpha Credit) concordam: o histórico do CEO compra tempo, mas não garante resultado. A recuperação sustentada dos bônus depende da assinatura dos contratos de cimento e da definição do destino da SWT.

Há um detalhe relevante no radar: acionistas da CSN Mineração, como a Itochu (10,85%) e a Japão Brasil (9,35%), estudam elevar participação na holding. Esse movimento sinaliza confiança na reestruturação, mas também pressiona por celeridade.

O que observar nas próximas semanas

O fechamento da venda de cimento é o gatilho de curto prazo. Se o cheque de R$ 11 bilhões entrar, a amortização da dívida garantida pelo ativo alivia o fluxo de caixa imediato. Depois, o foco migra para a alemã SWT e a capacidade da nova gestão de converter ativos não essenciais em redução líquida de alavancagem. O mercado deu o voto de confiança; a fatura chega na execução.