Economia

Salário mínimo 2027: piso salta para R$ 1.741; descubra o cálculo oculto

Gráfico mostra salário mínimo 2027 de R$ 1.741 com calculadora e notas de real brasileiras
Projeção do salário mínimo para 2027 atinge R$ 1.741, alta de 7,4% sobre o valor atual.

O governo federal propôs R$ 1.741 para o salário mínimo de 2027, um reajuste de 7,4% que eleva o custo direto da folha em R$ 120 por mês por trabalhador. A conta, porém, não para no contracheque: aposentadorias, BPC e a própria meta fiscal sentem o peso dessa alta.

O valor consta no PLN 24/2026, o Projeto de Lei Orçamentária Anual enviado ao Congresso. Mas, como a inflação oficial ainda não fechou, o número é uma estimativa — e não uma certeza.

De onde sai o aumento de 7,4%?

A fórmula legal combina a projeção do INPC acumulado até novembro (4,93%) com um ganho real fixado em 2,3%. O resultado supera a inflação total estimada para o ano que vem, de 3,6%.

Na prática, o piso sai dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741. A diferença nominal de R$ 120 mensais parece modesta, mas multiplicada por 12 meses representa R$ 1.440 a mais por empregado — sem contar 13º, férias e encargos.

  • INPC projetado (12 meses até nov/26): 4,93%
  • Ganho real (política de valorização): 2,30%
  • Reajuste total proposto: 7,4%
  • Valor estimado: R$ 1.741

O efeito cascata nas contas públicas

O salário mínimo é o indexador do piso previdenciário e do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Cada real a mais no piso empurra para cima uma fatia bilionária das despesas obrigatórias da União.

Para 2027, a peça orçamentária já prevê crescimento do PIB de 2,46% e Selic a 12,53% ao ano. O reajuste acima da inflação pressiona o limite de gastos justamente num cenário de juros altos e arrecadação incerta.

Tramitação: o que ainda pode mudar

A proposta está na Comissão Mista de Orçamento (CMO), onde deputados e senadores analisam receitas, apresentam emendas e votam relatórios setoriais. O rito prevê votação final após as eleições, respeitando o prazo constitucional de sanção até 31 de dezembro.

Documentos anteriores trabalhavam com R$ 1.717. A revisão para R$ 1.741 reflete a atualização dos parâmetros macroeconômicos. Se o INPC real vier menor — ou maior — que os 4,93% estimados, o valor final será corrigido por decreto em janeiro.

O que observar daqui para frente

Três variáveis definem o número final: a inflação efetiva de novembro, o espaço fiscal no arcabouço para absorver o ganho real e a disposição política do Congresso em manter a regra de valorização. Empresários devem rodar simulações de folha com ambos os cenários (R$ 1.717 e R$ 1.741) e acompanhar a votação do relatório geral da CMO nas semanas pós-eleição. A definição sai no Diário Oficial da União nos primeiros dias de 2027.