Justiça

Pesquisa Quaest pós-crise no STF: o que está em jogo para Lula e Flávio nas urnas

Lula e Flávio Dino em destaque com gráficos de pesquisa eleitoral 2026
Pesquisa Quaest mede impacto da crise no STF nas candidaturas de Lula e Flávio Dino para 2026

Uma nova rodada da pesquisa Quaest, encomendada pelo grupo Globo, entra em campo nesta semana para medir os tremores da crise no Supremo Tribunal Federal sobre a corrida presidencial de 2026. O levantamento promete ser o termômetro mais preciso até aqui sobre como o eleitorado processa o embate institucional que dominou o noticiário nas últimas semanas.

O foco principal recai sobre dois polos: a reeleição do presidente Lula e a viabilidade eleitoral de Flávio Dino, ministro da Justiça e nome forte na sucessão petista. Mas a radiografia deve capturar também os reflexos nas oposições e no centro político.

Por que esta rodada tem peso diferente

Pesquisas de opinião são rotina em anos eleitorais. Esta, porém, chega num momento singular: o STF viveu sua maior crise de legitimidade recente, com decisões polêmicas, embates públicos entre ministros e repercussão direta no debate sobre poderes, inquéritos e liberdade de expressão.

O “efeito Master” — apelido dado nos bastidores à sequência de eventos que abalou a Corte — não é um fato isolado. Ele se sobrepõe a uma economia que dá sinais mistos, a uma reforma tributária em implementação e a uma polarização que não arrefeceu desde 2022.

O que o questionário deve revelar

Metodologicamente, a Quaest costuma ir além da intenção de voto espontânea e estimulada. Espera-se que o instrumento capture:

  • Avaliação do governo Lula em múltiplas dimensões (economia, segurança, instituições)
  • Grau de confiança no STF antes e depois da crise
  • Atribuição de responsabilidade: quem o eleitor culpa pelo desgaste institucional
  • Cenários de segundo turno com diferentes combinações de nomes
  • Rejeição dos principais pré-candidatos — dado muitas vezes mais preditivo que a preferência

Dados de rodadas anteriores mostram que a confiança no Judiciário costuma oscilar em blocos: eleitores de esquerda tendem a defender a Corte; eleitores de direita, a criticá-la. A novidade agora é medir o centro e os “nem-nem”, que decidem eleições.

O fator Flávio Dino na equação

Ministro da Justiça desde janeiro de 2023, Dino tornou-se o rosto da articulação política do governo no Congresso e da resposta ao 8 de Janeiro. Sua exposição o credencia como sucessor natural, mas também o torna alvo preferencial da oposição.

A pesquisa testará se a crise no STF fortalece ou enfraquece sua imagem de “garantidor da ordem democrática” — narrativa que o Planalto tenta consolidar. Números de rejeição acima de 45% acenderiam sinal vermelho; abaixo de 35%, manteriam o nome competitivo.

Cenários para a oposição

Do outro lado, o levantamento deve dimensionar o espaço para nomes como Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Michelle Bolsonaro. A fragmentação da direita não bolsonarista é uma incógnita: a crise no STF pode unificar o antipetismo ou expor rachas entre liberais e conservadores?

Historicamente, Quaest detecta que 18% a 22% do eleitorado se declara “indeciso” ou “votaria em branco/nulo” a dois anos da eleição. Esse bloco costuma migrar na reta final, sensível a dois vetores: bolso e percepção de estabilidade.

O calendário que importa

Resultados devem ser divulgados em etapas ao longo da próxima semana. A ordem típica: avaliação de governo → confiança nas instituições → intenção de voto → cenários de segundo turno.

Cada bloco alimenta narrativas distintas. A primeira divulgação costuma ditar o tom dos editoriais e das redes sociais por 48 a 72 horas — janela crítica para campanhas ajustarem discurso.

O que observar daqui para frente

Três variáveis definirão se o “efeito Master” vira onda ou maré baixa:

  • Durabilidade da crise: se o STF pacificar internamente nas próximas semanas, o impacto eleitoral tende a dissipar
  • Resposta econômica: inflação e emprego seguem pesando mais que instituições para o eleitor mediano
  • Judicialização da política: eventuais novas decisões monocráticas ou inquéritos sensíveis podem reativar o tema

Para empresários e investidores, o recado prático é: a volatilidade institucional entrou na precificação de risco Brasil. A pesquisa Quaest não ditará o futuro, mas oferecerá o melhor mapa disponível do terreno onde 2026 será disputado. Acompanhe as divulgações por camadas — não apenas o topo da intenção de voto.