Criadores que mantêm uma relação contínua com as marcas respondem por 90% das vendas atribuídas ao marketing de influência no e-commerce. O dado levanta uma questão estratégica para empresas e investidores: apostar em novas contratações a cada campanha ainda é o modelo mais eficiente para impulsionar o faturamento?
Uma análise da Pilea Labs, plataforma especializada no segmento, mapeou cerca de 4,4 milhões de pedidos em marketplaces. O volume somou R$ 935 milhões em negociações envolvendo 160 marcas brasileiras entre julho de 2025 e junho deste ano.
O peso da recorrência no faturamento
A frequência de pedidos gerados por criadores recorrentes chegou a ser 8,5 vezes maior do que a observada em perfis novos nas comunidades das marcas. O indicador sugere que a manutenção de uma base ativa de creators tem um impacto comercial mais robusto do que a constante busca por novos influenciadores para ações pontuais.
Para a gestão de marketing, isso aponta para a necessidade de realocação de orçamento. O investimento na retenção e no cultivo de relacionamento com profissionais que já conhecem o produto tende a apresentar um retorno sobre o investimento (ROI) mais previsível. Mas o efeito mais relevante aparece na análise de quem realmente converte vendas em datas sazonais.
O protagonismo dos creators menos conhecidos
A pesquisa revela que os influenciadores mais famosos não concentram a totalidade das conversões. Durante a Black Friday do ano passado, 41,2% das vendas foram geradas por criadores de conteúdo com menor exposição pública, que habitualmente registram volumes menores de encomendas fora desse período.
Além disso, as marcas que optaram por expandir seus quadros e contratar novos influenciadores registraram um crescimento de 98% em suas operações. A diversificação da base, portanto, funcionou como um motor de expansão, ainda que a recorrência leve a maior fatia das conversões gerais.
Resiliência financeira do canal
Enquanto o mercado geral enfrentava quedas, o tíquete médio das vendas atribuídas aos creators permaneceu praticamente estável. O relatório também identificou um aumento no número de produtos por pedido, sinalizando uma maior confiança do consumidor final nas recomendações desses profissionais.
- Volume analisado: 4,4 milhões de pedidos em marketplaces.
- Valor transacionado: R$ 935 milhões em um ano.
- Conversão recorrente: 90% das vendas originadas pelo canal.
- Frequência: 8,5 vezes maior para creators contínuos em relação a novos.
- Diversificação: 98% de crescimento para marcas que contrataram novos nomes.
Esses indicadores demonstram que o marketing de influência atua como uma camada de proteção para o faturamento em períodos de contração econômica. Contudo, a definição do mix ideal entre perfis recorrentes e novos talentos exige atenção aos próximos ciclos de consumo.
O que observar daqui para frente
O gestor ou investidor atento ao varejo digital deve monitorar como as empresas passarão a estruturar seus contratos de influência. A tendência aponta para acordos de longa duração em vez de campanhas avulsas, com foco em métricas de engajamento contínuo.
A observação prática fica por conta do equilíbrio: manter uma base fiel de creators garante o volume, mas a injeção periódica de novos perfis parece ser o que sustenta o crescimento acelerado da operação em datas de pico.
