Economia

Bitcoin supera ouro nos EUA: 18,6% dos adultos já possuem cripto

Bitcoin supera ouro nos EUA: 18,6% dos adultos já possuem cripto
Com 49,6 milhões de investidores, o Bitcoin ultrapassa o ouro físico em posse por adultos nos Estados Unidos.

Indivíduos nos Estados Unidos agora detêm mais Bitcoin do que ouro físico, segundo dados recentes. O que parecia um movimento puramente especulativo tornou-se uma mudança estrutural nas estratégias de preservação de patrimônio. Como essa virada impacta a configuração do mercado global e a alocação de ativos institucionais?

O relatório recente revela que 49,6 milhões de adultos americanos, o equivalente a 18,6% da população, já possuem Bitcoin. Em contraste, apenas 28,8 milhões (10,8%) mantêm reservas em ouro físico. Para um ativo com apenas 16 anos de existência, ultrapassar um valor de refúgio de cinco milênios sinaliza uma mudança profunda na cultura financeira.

A taxa de adoção da criptomoeda subiu 4,3 pontos percentuais em apenas seis meses, passando de 14,3% no início do ano para os atuais 18,6%. Coletivamente, os cidadãos estadunidenses já controlam 42% de todo o Bitcoin em circulação no mundo.

O efeito Walmart e a mudança de rota de Wall Street

A aceleração dessa adoção deriva da combinação entre acesso facilitado e uma cultura de autonomia financeira. Aplicativos móveis e corretoras reduziram drasticamente as barreiras de entrada para o investidor comum. A regulamentação favorável no país também criou um ambiente de segurança jurídica para o varejo.

Contudo, o grande catalisador veio da reorientação dos canais de distribuição tradicionais. Grandes gestores de ativos abriram o mercado de ETFs de Bitcoin este ano. Essa movimentação colocou a cripto diretamente na mesa dos consultores financeiros, que até então tinham poucos motivos para oferecer o ativo aos clientes.

Mas o efeito mais relevante aparece no setor corporativo e na infraestrutura industrial.

A hegemonia corporativa e o poder de mineração

A supremacia dos EUA não se limita ao investidor pessoa física. Empresas listadas na bolsa e sediadas no território americano concentram cerca de 1,24 milhão de BTC. Esse volume representa 92,7% de todo o Bitcoin detido por companhias públicas globalmente, consolidando a cripto como uma estratégia legítima de tesouraria corporativa.

No campo da infraestrutura técnica, o domínio é igualmente express. Os Estados Unidos respondem por 37,5% do hashrate mundial da rede, funcionando como o principal centro de processamento de mineração. Mais de 150 empresas de grande porte, incluindo corretoras, custodiantes e processadores de pagamento, instalaram suas sedes no país.

Reservas soberanas e a nova geopolítica digital

O governo federal estadunidense possui atualmente um estoque de 328.372 BTC, avaliado em mais de 23 bilhões de dólares, originados majoritariamente de apreensões judiciais. Esse volume não é apenas um subproduto de operações policiais, mas o embrião de uma política de Estado. Projetos legislativos em andamento buscam formalizar a criação de uma reserva estratégica nacional, com metas de acumulação de longo prazo que podem chegar a 1 milhão de unidades da cripto.

Esse alinhamento entre cidadãos, corporações e o próprio Estado caracteriza os EUA como uma superpotência do ativo digital. A transição deixa claro que o país abandonou uma postura meramente repressiva para adotar uma estratégia pró-ativa de acumulação soberana.

Para investidores e empresas globais, a concentração de 42% da oferta nas mãos americanas e o controle de mais de um terço da infraestrutura técnica levantam uma questão urgente. Enquanto a maior economia do mundo se posiciona à frente dessa curva de digitalização de reservas, outros blocos econômicos terão que rever suas regulações para evitar uma dependência estratégica. O que observar daqui para frente é se a hegemonia estadunidense forçará uma corrida global por reavaliação de ativos digitais ou se we veremos uma fragmentação regulatória no curto prazo.