Economia

Nova multa de R$ 1,28 bi: risco fiscal soma 30% do valor de mercado do Grupo Mateus

Multa bilionária e o impacto imediato no papel

A Receita Federal autuou o Grupo Mateus (GMAT3) em R$ 1,28 bilhão, acendendo um alerta vermelho para o risco fiscal da companhia. O mercado absorveu a notícia com venda, e as ações chegaram a cair mais de 6% no pregão. A pressão sobre os papéis reflete o tamanho do desafio: como conciliar uma cobrança desse porte com a valorização da empresa?

Após a oscilação forte, o papel fechou o dia em queda de 4,18%, cotado a R$ 3,67. O movimento de venda foi impulsivo, mas a incerteza sobre o desfecho financeiro permanece. E os motivos para a cautela vão além do valor isolado da multa.

O peso no valor de mercado e o histórico fiscal

Esta é a segunda autuação expressiva contra o grupo em um curto espaço de tempo. Em 2024, a Receita já havia cobrado R$ 1,059 bilhão referentes ao Armazém Mateus, empresa controlada pelo grupo de atacarejo. A soma das duas infrações alcança um patamar preocupante para qualquer avaliação de risco.

Segundo cálculos do JPMorgan, as duas autuações combinadas representam cerca de 30% do valor de mercado atual da companhia. O banco classificou o cenário como negativo, com destaque para o risco fiscal elevado que agora acompanha os ativos da empresa.

  • 1ª autuação (2024): R$ 1,059 bilhão (Armazém Mateus)
  • 2ª autuação (recente): R$ 1,28 bilhão
  • Impacto conjunto: Equivalente a 30% do valor de mercado
  • Potencial individual da nova cobrança: 15% do valor de mercado

A origem da cobrança e o efeito sobre a tese de investimento

O centro da disputa fiscal está na metodologia de aproveitamento dos créditos presumidos de ICMS no cálculo de tributos federais. A Receita Federal voltou a questionar essa prática, a mesma que já havia colocado a empresa no radar do fisco na cobrança anterior.

Para a XP Investimentos, o desdobramento adiciona um risco jurídico relevante e funciona como um fator de pressão contínua sobre as ações. O impacto de caixa não deve ser imediato, mas a sombra do litígio jurídico tende a limitar a valorização do papel no curto prazo.

O Bradesco BBI corrobora essa visão de incerteza temporária. O banco prevê aumento da volatilidade nas ações, embora ressalte que não há necessidade de provisões ou saídas de capital neste momento. Mas o efeito mais relevante para o investidor aparece no médio prazo.

Desdobramento longo e o que observar daqui para frente

Apesar da gravidade dos valores, o processo segue em fase administrativa. Conforme apontam as análises, a tendência é de que a discussão se arraste por anos, com abertura de frente judicial e margem para eventuais negociações com o fisco.

Enquanto a batalha jurídica não avança, o Bradesco BBI manteve a recomendação de “desempenho acima da média” para o papel, com preço-alvo de R$ 9. A divergência entre a perspectiva de longo prazo e o castigo curto no mercado cria um ponto de atenção claro.

Para o empresário e investidor que acompanha o setor, o foco a partir de agora deve estar nas atualizações sobre o contencioso administrativo. Observar se haverá a constituição de provisões nos próximos balanços e monitorar o comportamento dos créditos presumidos de ICMS serão essenciais para separar a volatilidade passageira de um risco estrutural nas operações do grupo.