Tecnologia

R$ 2 tri em tecnologia até 2029: o boom dos data centers

Boom de data centers no Brasil: infraestrutura digital e imobiliária
O Brasil atrai R$ 2 trilhões em investimentos digitais até 2029, transformando a tecnologia em negócio de tijolo e cimento.

O Brasil deve atrair R$ 2 trilhões em investimentos digitais até 2029, e o mercado imobiliário já se ajusta para absorver essa demanda. Mas por que o setor de tecnologia está repentinamente transformado em um negócio de tijolo e cimento?

Números que redefinem o setor digital

A estimativa é da Brasscom, associação que reúne empresas de tecnologia. O montante prevê um ciclo robusto de aportes, puxado por duas vertentes principais:

  • Computação em nuvem: R$ 765,6 bilhões, com alta média de 21% ao ano.
  • Inteligência artificial: R$ 736,6 bilhões, com crescimento projetado de 20% anuais.

O poder de processamento exigido por essas ferramentas exige uma contrapartida física. É aqui que entra a infraestrutura de ponta.

O efeito direto no mercado imobiliário

Inteligência artificial e nuvem não rodam no ar. Elas dependem de estruturas robustas para processar e armazenar dados em escala industrial. Para o setor de imóveis comerciais, isso cria uma categoria inédita de ativo.

Construções para data centers fogem do padrão logístico. Um galpão tradicional não suporta as exigências técnicas desse novo ocupante. Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor: a valorização de terrenos específicos.

Onde a infraestrutura física encontra a digital

O Brasil concentra 48% da capacidade instalada de data centers em toda a América Latina, segundo a consultoria JLL. O mapa dessas operações tem pontos claros. Barueri, Alphaville e Campinas, no interior paulista, lideram a preferência. Fortaleza também se destaca graças à ancoragem de 17 cabos submarinos no Ceará.

À medida que a demanda cresce, outras regiões começam a entrar no radar. O Sul do país, por exemplo, ganha espaço por oferecer condições alternativas para a expansão.

Os requisitos que valorizam o terreno

Nem qualquer terreno serve para abrigar um centro de processamento de dados. As necessidades estruturais são rígidas e restringem as áreas aptas a receber os projetos.

Imóveis que atendem a esses critérios ganham valorização imediata. Confira as exigências principais para receber um data center:

  • Dimensão: necessidade de terrenos significativamente maiores.
  • Energia: alta capacidade de fornecimento e redundância elétrica.
  • Refrigeração: sistemas potentes para evitar superaquecimento.
  • Conectividade: infraestrutura robusta de fibra óptica.

A soma dessas restrições limita a oferta de áreas e eleva o preço dos imóveis que cumprem todos os requisitos.

O que observar daqui para frente

O esgotamento da capacidade energética e de conectividade nos polos atuais deve pressionar a busca por novas fronteiras geográficas. Para investidores e empresários do setor imobiliário, o mapeamento antecipado de regiões com potencial de energia e fibra óptica aponta onde estará a próxima valorização. A corrida digital por espaço físico está apenas no início.