A Petrobras elevou em R$ 0,19 o litro da gasolina vendida às distribuidoras, levando o preço médio a R$ 3,24. Na prática, o motorista não verá diferença na bomba — o governo neutralizou o aumento com um pacote fiscal que zera impostos e injeta subsídios bilionários até outubro.
A manobra ocorre em meio à escalada do petróleo, que voltou a US$ 100 o barril após ataques no Oriente Médio, e às vésperas de uma disputa eleitoral que mostra Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados.
O que muda no bolso do consumidor
O decreto e a medida provisória publicados nesta quarta (10) cortam R$ 0,63 de PIS/Cofins por litro de gasolina e R$ 0,19 no etanol hidratado. Para o diesel, a subvenção sobe a R$ 1,00 — somada aos R$ 1,12 já vigentes até 26 de setembro, o desconto total atinge R$ 2,12 por litro.
Resultado imediato:
- Gasolina: tributação federal cai para R$ 0,16/litro
- Etanol: PIS/Cofins zerados
- Diesel: subsídio máximo de R$ 2,12/litro até 26/09
As regras valem até 9 de outubro, dez dias após o primeiro turno das eleições de 2026.
Conta de R$ 7 bilhões por mês — e o cheque de R$ 6,6 bi
O pacote tem custo estimado de R$ 7 bilhões mensais aos cofres federais. Para cobrir os benefícios concedidos desde maio, quando a MP anterior perdeu validade, o governo editou outra medida provisória liberando R$ 6,6 bilhões às refinarias.
A decisão representa guinada em relação ao discurso da Fazenda, que vinha sinalizando retirada gradual dos subsídios. A pressão do petróleo acima de US$ 100 — patamar não visto em três meses — forçou a mudança de rota.
O pano de fundo geopolítico e eleitoral
A retomada dos conflitos entre EUA e Irã, com alvos em navios-petroleiros, recolocou prêmio de risco no barril. Internamente, a pesquisa Datafolha de terça (8) mostra Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 44% em simulação de segundo turno — empate técnico que amplia a sensibilidade política do preço dos combustíveis.
O diesel, insumo chave para transporte de cargas e frete de alimentos, carrega peso inflacionário direto. Manter o subsídio elevado até o fim de setembro busca conter repasses à cadeia logística no período pré-eleitoral.
O que observar daqui para frente
Três variáveis definirão o cenário pós-outubro: a renovação ou não do subsídio de R$ 1,12 no diesel após 26 de setembro; a trajetória do Brent, que pode subir se o conflito no Estreito de Ormuz escalar; e a disposição fiscal do próximo governo para manter artificialmente baixos os preços nas refinarias. Enquanto isso, a Petrobras acumula defasagem em relação à paridade internacional — conta que, cedo ou tarde, será apresentada.
