Economia

Eleição e Bolsa: 3 carteiras do BBI para lucrar (ou se proteger) seja qual for o vencedor

Gráfico de estratégias de investimento Bradesco BBI para cenários eleitorais no Brasil
Três carteiras do BBI para navegar o risco eleitoral com assimetria de risco-retorno favorável.

O Bradesco BBI mapeou 220 ativos e desenhou três estratégias distintas para o investidor navegar o risco eleitoral — uma para cada resultado provável nas urnas e uma terceira blindada contra qualquer desfecho. A assimetria de risco-retorno, porém, é o que mais chama atenção: o banco vê potencial de alta de 76% no melhor cenário contra queda de 44% no pior, mantendo o Brasil como “overweight” na América Latina.

Os estrategistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler não apenas separaram os papéis por sensibilidade política. Eles quantificaram como cada setor reagiu às oscilações nas pesquisas nos últimos meses, transformando ruído em dado acionável.

A cesta “Incumbent”: utilities, seguros e shoppings no radar

Quando as chances do governo atual sobem nas pesquisas, 15 ações costumam andar junto — e ficam para trás quando a maré vira. A carteira batizada de “Incumbent” concentra nomes de setores regulados e sensíveis a crédito barato.

O destaque vai para a combinação de seguradoras (Caixa Seguridade, Porto Seguro), utilities (Copasa, CPFL, Taesa), shopping centers (Multiplan, Iguatemi) e incorporadoras de baixa renda (Tenda). Completam a lista Andina, Equatorial, Hidrovias do Brasil, Itaú, Mercado Livre, Iochpe-Maxion e Vivara.

O banco mantém visão fundamentalista neutra para seguros, citando valuations justos. Já o backlog da Tenda funciona como colchão de resultados, segundo o relatório.

Cenário “Challenger”: estatais, mercado de capitais e a “dupla alavancagem” das small caps

Do outro lado, a carteira “Challenger” reúne os ativos que brilharam quando o candidato de oposição ganhava tração. Quatro blocos dominam a seleção:

  • Mercado de capitais: XP e B3 — setor preferido do analista Marcelo Mizrahi.
  • Estatais: Petrobras e Banco do Brasil. O BBI destaca que o Brasil tem peso de empresas estatais nos índices maior que qualquer outro grande mercado global.
  • Sensíveis a juros: MRV e Vamos. O cenário-base prevê Selic a 11% no fim de 2027, ante 13,75% atuais.
  • Small caps: União Pet, Grupo Mateus, Vitru, PetzCobasi, Bemobi, Frasle, Hypera, Intelbras, Panvel, RD Saúde.

As small caps recebem atenção especial. O banco chama de “dupla alavancagem”: valuation descontado em níveis recordes frente às large caps mais a chance de interrupção dos resgates em fundos de ações locais — compradores tradicionais desses papéis.

O alerta que pouca gente leu: as duas carteiras andaram juntas no último ano

Apesar da separação teórica, o desempenho de “Incumbent” e “Challenger” praticamente empatou nos últimos 12 meses. O estudo, portanto, funciona como mapa de sensibilidades observadas — não como previsão de comportamento pós-urnas. Quem comprar achando que o resultado eleitoral ditará o vencedor automático pode se frustrar.

Carteira “All-Weather”: 15 ações para quem não quer apostar no resultado

Para quem prefere dormir tranquilo, o BBI atualizou a estratégia resiliente baseada em três pilares: qualidade, crescimento composto e margem de segurança. A lista:

  • Qualidade (rentabilidade estável + vantagem competitiva): Vivo, WEG, TIM.
  • Compounders (crescimento + reinvestimento com alto ROIC): RD Saúde, Embraer, Sabesp.
  • Margem de segurança (desconto para valor intrínseco): Nu.

Completam a carteira: Ambev, B3, BTG Pactual, Cyrela, Itaú, Localiza, Mercado Livre, Totvs. A WEG lidera o ranking interno com 79 de 100 pontos, seguida por RD Saúde (77), Vivo e Totvs (78 cada).

A assimetria que justifica o “overweight”: 76% de upside vs 44% de downside

No cenário otimista — com reformas —, o MSCI Brazil pode saltar 76% com P/L convergindo para 11x (média histórica) e juros reais caindo ~3 p.p. No extremo pessimista — sem reformas —, a queda chega a 44%, com o real voltando aos níveis de estresse fiscal do fim de 2025.

Entre os extremos, o BBI projeta: -17% (premissas locais), +31% (custo de capital do estrangeiro) e +25% (consolidação fiscal). A razão upside/downside de ~2 para 1 sustenta a recomendação de exposição acima da média.

O que move cada cenário: câmbio na queda, juros na alta

A análise mostra motores distintos. No pior caso, o real absorve metade das perdas — daí a busca por hedge cambial. Nos cenários bons, a queda dos juros reais das NTN-Bs é o vetor principal, beneficiando ativos de longa duração: utilities, concessões rodoviárias, incorporadoras.

Outro pilar: o MSCI Brazil negocia a 8,7x lucro, entre os múltiplos mais baixos do mundo. Sentimento deprimido (R$ 5 bi em saídas institucionais no mês do relatório) e curva de juros sem precificar cortes — enquanto o BBI vê 1,75 p.p. de redução na Selic — completam a tese.

O que observar daqui para frente

O banco mantém estratégia “barbell” ofensiva: mercado de capitais, estatais e sensíveis a juros. A história das cinco eleições anteriores ensina: volatilidade forte nas pesquisas, reação exagerada pós-primeiro turno, exagero de preço no segundo turno e, depois, reversão à média. O investidor que souber separar ruído de fundamento — e tiver estômago para a montanha-russa — tende a capturar a assimetria que o BBI desenhou.