Justiça

Roscoe se diz única voz da direita em MG e provoca rivais: “Estão no centro”

Flávio Roscoe, candidato do PL ao governo de MG, durante sabatina no Estado de Minas
Roscoe se afirma como única voz da direita na disputa pelo Palácio da Liberdade.

O empresário Flávio Roscoe, candidato do PL ao governo de Minas Gerais, cravou nesta segunda-feira (28) que é o único postulante alinhado à direita na disputa pelo Palácio da Liberdade. A declaração ocorreu durante sabatina promovida pelo Estado de Minas, Portal Uai e TV Alterosa.

Para Roscoe, adversários como Cleitinho Azevedo e Mateus Simões ocupam o espectro central. A fala desenha uma linha ideológica nítida num estado onde o eleitorado conservador tem peso decisivo.

O que está em jogo no tabuleiro mineiro

Minas Gerais costuma ditar o tom das eleições nacionais. O segundo maior colégio eleitoral do país costuma seguir a polarização entre direita e esquerda, mas a fragmentação do centro tem embaralhado as previsões para 2026.

Roscoe aposta que o eleitor de direita quer coerência, não pragmatismo. Seu discurso mira o vácuo deixado por Zema, que não pode concorrer à reeleição e ainda não ungiu um sucessor oficial.

Perfil do candidato: gestão privada, estreia nas urnas

Presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) desde 2018, Roscoe nunca disputou cargo eletivo. Sua plataforma combina desburocratização, atração de investimentos e pautas de costumes.

O PL mineiro bancou a pré-candidatura após negociações internas. O partido de Bolsonaro vê em Roscoe a chance de manter a hegemonia conservadora no estado, mesmo sem o ex-presidente no palanque diário.

Rivais rebatem: “Rótulos não resolvem problemas”

Cleitinho, do Republicanos, evita o rótulo de direita ou centro. Deputado federal mais votado de MG em 2022, ele construiu capital político com fiscalização de obras e denúncias em redes sociais. Seu eleitorado transita entre o conservadorismo e o antipetismo pragmático.

Mateus Simões, vice-governador e provável candidato do Novo, também rejeita a polarização. Ex-secretário de Governo de Zema, ele carrega a marca da gestão técnica e das privatizações. Seu discurso foca em continuidade administrativa, não em guerra cultural.

Dados que explicam a disputa

  • Eleitorado mineiro: 16,3 milhões de aptos (TSE, 2024)
  • Votação de Bolsonaro em 2022: 56,18% no 2º turno
  • Aprovação de Zema (último Datafolha): 52%
  • Pré-candidatos declarados até setembro: 6 nomes competitivos

O número elevado de pré-candidatos tende a pulverizar votos no primeiro turno. Quem consolidar a fatia bolsonarista larga na frente — daí a insistência de Roscoe no monopólio da direita.

O fator Bolsonaro: presença ou sombra?

O ex-presidente deve vir a Minas em 2025 para atos de campanha. A dúvida é se ele subirá no palanque de Roscoe ou manterá distância estratégica, como fez em São Paulo com Nunes. A decisão impacta diretamente a transferência de votos.

Enquanto isso, o PT ainda não definiu nome forte. A esquerda aposta em candidatura única para chegar ao segundo turno, mas nomes como Reginaldo Lopes e Virgílio Guimarães não decolam nas pesquisas qualitativas.

O que observar nos próximos meses

Três variáveis vão ditar o ritmo da corrida: a formalização das coligações (prazo até agosto de 2026), o desempenho da economia mineira — PIB estadual cresceu 3,2% no 1º semestre — e a judicialização de eventuais inelegibilidades. Roscoe precisa converter o discurso ideológico em estrutura de campanha: tempo de TV, capilaridade no interior e máquina partidária. O centro, por sua vez, torce pelo desgaste mútuo entre as pontas para pescar o eleitor cansado de radicalização.