Uma nova pesquisa Futura/100% Cidades revela um cenário de empate técnico triplo pelas duas vagas ao Senado por São Paulo em 2026. Marina Silva, Guilherme Derrite e Simone Tebet oscilam dentro da margem de erro, enquanto quase um terço do eleitorado ainda não decidiu o voto.
O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (28), expõe a volatilidade de uma disputa que deve ditar o equilíbrio de poder no Congresso nos próximos oito anos.
Os números que explicam o empate
A margem de erro de 2,4 pontos percentuais coloca os três primeiros nomes praticamente lado a lado. A ex-ministra Marina Silva (Rede) aparece numericamente à frente com 35,1%, seguida de perto pelo secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP), com 34,7%, e pela ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB), com 33,3%.
Confira a estratificação das intenções de voto estimuladas:
- Marina Silva (Rede): 35,1%
- Guilherme Derrite (PP): 34,7%
- Simone Tebet (PSB): 33,3%
- André do Prado (PL): 24,0%
- Ricardo Salles (Novo): 6,3% (candidatura retirada nesta segunda)
- Outros nomes: Somam menos de 3% cada
- Branco/Nulo/Ninguém: 22,1%
- Indecisos: 31,9%
O fator “indecisos” e a saída de Salles
O volume de eleitores sem preferência definida (31,9%) supera a votação de qualquer candidato individualmente. Some-se a isso os 22,1% de votos brancos, nulos ou em “ninguém”, e mais da metade do colégio eleitoral paulista está, hoje, fora do alcance dos principais nomes.
A desistência de Ricardo Salles (Novo), oficializada no mesmo dia da divulgação, injeta mais incerteza. Seus 6,3% tornam-se um ativo disputado, preferencialmente por perfis alinhados ao campo da direita, onde Derrite e André do Prado (PL) buscam consolidar espaço.
Por que o mercado deve monitorar esta corrida
São Paulo elege dois dos 81 senadores, mas o peso político-econômico da bancada paulista costuma ditar o ritmo de pautas sensíveis: arcabouço fiscal, regulação setorial, indicações para o Banco Central e tribunais superiores. A composição desta chapa dupla sinaliza a correlação de forças entre o governo federal, a oposição de direita e o centro político para o segundo mandato de Lula ou para um eventual sucessor.
Marina traz a pauta ambiental e climática, central para acordos comerciais e agronegócio. Derrite carrega a bandeira da segurança pública, tema sensível para o eleitorado urbano e para custos logísticos. Tebet opera na articulação institucional e no controle do Orçamento. Quem ocupar as cadeiras definirá vetos e aprovações que impactam diretamente o ambiente de negócios.
Metodologia e próximos passos
Foram ouvidos 1.600 eleitores por telefone entre 22 e 26 de setembro, com intervalo de confiança de 95%. O registro no TSE é o SP-06753/2026.
Daqui para frente, três variáveis merecem atenção redobrada: a migração dos votos órfãos de Salles, a capacidade de transferência de popularidade do governador Tarcísio de Freitas (que lidera a corrida ao Palácio dos Bandeirantes com 54,8%) para seu aliado Derrite, e a definição do segundo nome na chapa governista — hoje pulverizado entre Tebet, Marina e o próprio André do Prado.
Em um estado onde a eleição nacional muitas vezes se decide, a indefinição atual não é ruído: é o sinal de que a batalha pelo Senado em São Paulo está, de fato, aberta.
