Economia

Inflação sobe a 4,99% e PIB cai de novo: o que o Focus esconde sobre 2026

Gráfico mostra projeções do Boletim Focus: inflação a 4,99% e PIB a 1,86% para 2026
Projeções do Focus indicam inflação próxima ao teto da meta e crescimento econômico em desaceleração.

O mercado financeiro elevou a projeção de inflação para 4,99% em 2026 e cortou pela terceira semana seguida a estimativa de crescimento do PIB, agora em 1,86%. A combinação aperta o cenário para juros e câmbio nos próximos meses.

Os números saíram no boletim Focus desta segunda-feira (28), divulgado pelo Banco Central. A alta no IPCA vem na esteira do IPCA-15 de setembro, que saltou 0,7% após deflação de 0,4% em agosto.

O gatilho da vez: conta de luz

A prévia da inflação oficial acumulou 4,47% em 12 meses, contra 4,24% no mês anterior. O IBGE aponta um vilão claro: o fim do desconto do bônus de Itaipu nas tarifas de energia elétrica.

Esse item sozinho puxou a alta do índice. Sem ele, a pressão sobre o IPCA seria menor — e a trajetória dos juros, potencialmente mais suave.

PIB: terceira queda consecutiva

A projeção de crescimento recuou de 1,88% para 1,86%. Há quatro semanas, o consenso era 1,92%. O ritmo de revisão sugere que analistas veem a atividade perdendo fôlego mais rápido que o esperado.

Para 2027, a estimativa caiu de 1,43% para 1,41%. Em 2028, de 1,87% para 1,83%. O viés é de baixa em todos os horizontes.

Selic e dólar: a calmaria que preocupa

Apesar da inflação mais alta e do PIB mais fraco, as apostas para a taxa básica não mudaram:

  • Fim de 2026: 13,5% ao ano
  • Fim de 2027: 12% ao ano
  • Fim de 2028: 10,5% ao ano

O dólar também segue parado nas projeções: R$ 5,20 para o final deste ano, R$ 5,28 em 2027 e R$ 5,30 em 2028.

Por que o mercado não mexe nos juros?

A estabilidade nas apostas para a Selic sinaliza que analistas já precificam o cenário atual. O BC tem mantido o discurso de cautela, e o mercado entende que novos aumentos só viriam se a inflação surpreender novamente para cima.

Mas há um risco: se o IPCA oficial confirmar a pressão dos próximos meses, a porta para uma Selic terminal acima de 13,5% se abre. O próximo Copom será o termômetro.

O que observar daqui para frente

Três variáveis vão ditar os próximos boletins: o IPCA cheio de setembro (sai em outubro), a decisão do Copom de novembro e a tramitação do Orçamento 2027 no Congresso. Qualquer ruído fiscal pode mexer no câmbio e, por tabela, na inflação.

Para quem gere caixa ou planeja investimentos, a conta é simples: juros altos por mais tempo, crescimento mais fraco e inflação rondando o teto da meta. O cenário base não mudou — mas a margem de erro encolheu.