O candidato ao governo de Minas Gerais pelo PSTU, Rafael Duda, defendeu nesta segunda-feira (28) a extinção completa da gestão privada nas unidades de saúde do estado. A proposta foi apresentada durante visita ao Hospital Regional de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O plano prevê a estatização de todos os serviços e a aplicação direta dos recursos no SUS. Mas o impacto real dessa medida vai muito além do discurso de campanha.
Como funcionaria a saúde 100% estatal
Duda propõe redirecionar todo o orçamento hoje destinado a contratos de gestão para a rede pública direta. “A gente precisa pegar todo esse dinheiro e investir diretamente no SUS e estatizar todos esses serviços”, afirmou o candidato durante a agenda.
Na prática, isso significaria o fim dos modelos de Organizações Sociais (OSs) e fundações de apoio que hoje administram hospitais regionais, UPAs e unidades especializadas. A transição exigiria a absorção de milhares de trabalhadores pelo quadro efetivo do estado.
Especialistas em gestão hospitalar alertam que a mudança demandaria aporte bilionário imediato para equiparar salários, carreiras e condições de trabalho.
O pacote fiscal por trás da proposta
A saúde não é o único eixo. O candidato apresentou três pilares de financiamento que sustentariam a expansão do serviço público:
- Suspensão do pagamento da dívida com a União até a realização de auditoria completa;
- Fim das isenções fiscais concedidas a grandes empresas;
- Redirecionamento integral desses recursos para saúde e educação.
Juntas, as renúncias fiscais mineiras somam dezenas de bilhões por ano. A dívida com a União, renegociada em 2022, consome parcela significativa da receita corrente líquida do estado.
Educação: meta de zerar fila de creches
No mesmo evento, Duda prometeu ampliar investimentos na rede pública de ensino e eliminar o déficit de vagas em creches. A medida atenderia diretamente milhares de famílias que hoje dependem de liminares judiciais para garantir o acesso.
O candidato não detalhou prazos nem estimou o custo operacional da universalização imediata.
Agenda de campanha no entorno da capital
Após o hospital, a comitiva seguiu para o Restaurante Popular de Betim, equipamento de segurança alimentar mantido pelo município. Em seguida, reunião com apoiadores na Escola Estadual Helena Guerra, em Contagem.
O dia encerrou no Sindicato dos Servidores Municipais de Betim, base de apoio do PSTU na região. A escolha dos locais sinaliza a prioridade dada ao funcionalismo e aos usuários de serviços públicos na estratégia eleitoral.
O que observar nas próximas semanas
A viabilidade econômica das propostas dependerá de negociação com o governo federal e da composição da Assembleia Legislativa. Candidatos de outros partidos já anteciparam críticas ao modelo de suspensão da dívida, alegando risco de sanções fiscais.
Para o eleitor mineiro, a pergunta central permanece: de onde virá o caixa para sustentar a máquina estadual expandida sem as receitas atuais? A resposta deve ditar o rumo do debate nas próximas rodadas de sabatinas e sabatinas televisivas.
