Economia

Petróleo do Brasil mira recorde de 3 anos: entenda a corrida de setembro

Navio petroleiro atracado em terminal brasileiro de exportação de petróleo cru
Brasil caminha para recorde de 3 anos em exportações de petróleo neste setembro

O Brasil exportou 10,1 milhões de toneladas de petróleo nas quatro primeiras semanas de setembro, colocando o país a um passo de romper a maior marca mensal dos últimos três anos. Faltam apenas três dias úteis para o fechamento do mês e a média diária atual supera 500 mil toneladas.

Se o ritmo se mantiver, o volume histórico de 11 milhões de toneladas — registrado em março de 2023 — será superado. Mas o volume não é a única métrica que chama a atenção.

O salto que dobra a aposta do ano passado

As exportações por dia útil dispararam 50% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Esse ritmo acelerado não acontece por acaso: reflete uma combinação rara de oferta interna recorde e uma janela geopolítica favorável.

Enquanto a produção nacional bate recordes sucessivos, conflitos no Oriente Médio redirecionam rotas globais de abastecimento. O resultado é um fluxo de caixa robusto para a balança comercial.

Pré-sal e Estreito de Hormuz: a equação do momento

Dois pilares sustentam o cenário atual. No lado da oferta, os campos de Búzios e Mero, na Bacia de Santos, empurraram a produção nacional para patamares inéditos em julho — o segundo recorde mensal consecutivo, segundo a ANP. Os dados de agosto saem no começo de outubro e a expectativa é de manutenção do patamar elevado.

Do lado da demanda, a instabilidade no Irã e as restrições no Estreito de Hormuz criaram um vácuo logístico. Compradores asiáticos, sobretudo a China, ampliaram as encomendas ao Brasil como alternativa de segurança energética.

Receita bilionária e preço em alta

O impacto financeiro já aparece nos números da Secex. Até a quarta semana, a receita cambial somava US$ 5,6 bilhões (cerca de R$ 29,2 bilhões). O preço médio da tonelada exportada atingiu US$ 562,4 (R$ 2.937), uma valorização de 26,1% em doze meses.

  • Volume acumulado (4 semanas): 10,1 milhões de toneladas
  • Média diária: +500 mil toneladas/dia útil
  • Receita parcial: US$ 5,6 bi / R$ 29,2 bi
  • Preço médio/tonelada: US$ 562,4 (+26,1% a/a)

O que observar nas próximas semanas

O fechamento oficial de setembro confirmará se o recorde de março de 2023 caiu. Para investidores e gestores de risco, três variáveis merecem monitoramento contínuo: a divulgação da produção de agosto pela ANP, a evolução dos prêmios de risco no Estreito de Hormuz e a capacidade de escoamento dos terminais portuários brasileiros sob pressão de volumes recordes.

Manter esse patamar de embarques no quarto trimestre dependerá menos da geologia do pré-sal e mais da logística de armazenagem e da estabilidade da demanda chinesa — fatores que, ao contrário da reserva mineral, podem mudar de direção em semanas.