O candidato Valmir de Francisquinho (Republicanos) colocou na mesa duas cartas que podem redistribuir as forças econômicas de Sergipe: um novo hospital de grande porte na Grande Aracaju e a transformação do Banese em motor de crédito para empresas. A pergunta que fica é se a estrutura fiscal do estado aguenta a conta.
Durante agenda nesta segunda-feira (28) no bairro Veneza e em Nossa Senhora do Socorro, o postulante ao governo detalhou o eixo central de sua plataforma para os próximos quatro anos. A fala foi direta: saúde desconcentrada, fim das contas de água “exorbitantes” e um banco público voltado para o setor produtivo.
Saúde: a aposta na desconcentração
A promessa de erguer um hospital na região metropolitana não é apenas sobre leitos. Trata-se de desafogar a capital e reduzir o êxodo de pacientes do interior para Aracaju, dinamizando a economia local de municípios vizinhos.
Hoje, a rede estadual sofre com gargalos na alta complexidade. Um equipamento novo na Grande Aracaju funcionaria como uma válvula de escape, desde que venha acompanhado de corpo clínico e gestão eficiente — detalhes que o plano de governo ainda precisa detalhar com números de investimento e cronograma.
O Banese como alavanca para o empresariado
O ponto que mais deve atrair a atenção de investidores e donos de negócios é a proposta de reposicionar o Banco do Estado de Sergipe (Banese). A ideia declarada é tirá-lo da inércia comercial para torná-lo um agente de fomento ativo.
Na prática, isso sinaliza linhas de crédito com juros subsidiados, prazos alongados e foco em capital de giro para micro, pequenas e médias empresas. Se executado com governança rigorosa, o movimento pode reduzir a dependência do empresariado local de bancos federais ou privados com spread mais alto.
- Crédito direcionado: Foco em setores estratégicos (indústria, logística, tecnologia).
- Redução de custo: Taxas abaixo de mercado para capital de giro e expansão.
- Risco: Necessidade de compliance forte para evitar inadimplência política.
A conta da água e o equilíbrio fiscal
O candidato também mirou nas tarifas de saneamento, classificando-as como “exorbitantes”. A redução de custos fixos para famílias e empresas libera renda para consumo e investimento, mas esbarra na modelagem contratual da concessão da Deso e na necessidade de aporte para universalização do esgoto até 2033, meta do novo marco legal.
Qualquer intervenção tarifária exigirá negociação contratual complexa ou aporte do Tesouro Estadual. O empresário deve ficar atento: subsídio cruzado costuma aparecer em outro item da conta pública.
O que observar daqui para frente
A viabilidade desse tripé — hospital, banco de fomento, tarifa menor — depende de uma variável única: a capacidade de endividamento do estado e a qualidade da receita própria. Sergipe tem histórica dependência de transferências federais (FPE).
Nos próximos debates e na leitura detalhada do plano de governo registrado no TSE, o foco deve ser a origem dos recursos. Há previsão de PPP para o hospital? O Banese terá aporte de capital do Tesouro ou usará reservas? A redução da conta d’água virá de ganhos de eficiência ou renúncia fiscal?
Para o tomador de decisão, o cenário desenha oportunidade de crédito mais barato e infraestrutura de saúde melhorada, condicionadas a uma gestão fiscal que ainda precisa provar sua solidez no papel. Acompanhe a divulgação das metas fiscais quadrienais; elas dirão se a promessa vira projeto executável.
