A 34ª edição da CasaCor Brasília abre as portas da Casa do Candango até 12 de outubro com uma proposta que vai além da estética: transformar a moradia em instrumento de cura. O tema “Mente e Coração” não é apenas um slogan — ele dita a linguagem de 40 ambientes assinados por 52 profissionais distribuídos em três pavimentos.
Mas como a neuroarquitetura e a biofilia saem da teoria e aparecem no concreto, na iluminação e no cheiro dos espaços? A resposta está nos detalhes que o visitante sente antes mesmo de entender.
Neuroarquitetura e biofilia: o motor invisível da mostra
Esqueça a decoração puramente visual. Nesta edição, texturas, aromas, iluminação indireta e vegetação nativa funcionam como ferramentas técnicas para regular o sistema nervoso de quem circula. A integração entre ambientes elimina barreiras físicas e psicológicas, enquanto materiais naturais — pedra, madeira certificada, fibras — substituem o sintético sem abrir mão da tecnologia.
O elenco de arquitetos e designers explorou a memória afetiva como matéria-prima. Peças autorais e arte local não servem apenas de adorno; elas ancoram a identidade do morador no espaço. O resultado são ambientes que acolhem, reduzem o cortisol e estimulam a permanência — um ativo valioso para o mercado imobiliário de alto padrão.
Gastronomia assinada: a experiência estende o ingresso
A narrativa sensorial não para na arquitetura. Quatro operações gastronômicas foram projetadas com o mesmo rigor dos ambientes de moradia, transformando a pausa para comer em continuidade da visita:
- Restaurante Aroma: Chef Ronny Peterson e Studio Roque Arquitetura resgatam ancestralidade e cultura negra no cardápio e no desenho do salão.
- Cafeteria Entre Fluxos: Lilie Pâtisserie & Boulangerie e Bruno Carvalho Arquitetura criam um ponto de encontro que desacelera o ritmo da mostra.
- Bar Ocelo: Speakeasy anos 20 com assinatura de Orestes Blanco e Rosa Maranini; coquetelaria a cargo do CO/RE (Fernando Zeta e chef Yago Ferreira).
- Espaço Vinícola São Patrício & Chocolateria LaBarr: Rótulos goianos premiados e cacau de pequenos produtores brasileiros em projetos de Eliene Lucindo e da dupla Aline Silva e Amanda Beatriz.
Sustentabilidade com números: a meta de 99,7%
O compromisso ambiental saiu do discurso para a planilha. A gestão centralizada de resíduos mira 99,7% de valorização de materiais — índice exigido para a certificação Lixo Zero. Na prática, isso significa reaproveitamento de pedras, telhas de demolição, aço de economia circular, pisos ecológicos e iluminação 100% LED em diversos ambientes.
A construção a seco ganha espaço como método construtivo dominante, reduzindo desperdício e prazo. O paisagismo privilegia espécies do Cerrado, cortando consumo de água e reforçando a identidade regional. Mobiliário de artesãos brasileiros e design autoral fecham o ciclo: sofisticação com rastreabilidade.
Acessibilidade total e o recado para o mercado
Pela primeira vez na edição brasiliense, 100% dos ambientes são acessíveis. Rampas, circulações amplas, sinalização tátil e mobiliário adaptado não estão isolados em um “espaço modelo” — eles são a regra. A decisão eleva o padrão técnico da mostra e pressiona o mercado a tratar inclusão como premissa de projeto, não como adequação posterior.
O que observar daqui para frente: datas, custos e tendência
A mostra funciona de terça a sexta, das 15h às 22h; sábados, domingos e feriados, das 12h às 22h. Ingressos partem de R$ 55 (meia-entrada) na bilheteria da SGAS 603. Para profissionais do setor, o termômetro está nas soluções replicáveis: construção a seco, especificação de materiais circulares, paisagismo nativo e projetos luminotécnicos focados em bem-estar. Quem visitar até outubro leva um mapa do que deve chegar aos lançamentos imobiliários de 2025.
