Justiça

506 sites de bets derrubados: governo agora mira big techs e influenciadores

Governo brasileiro bloqueia 506 sites de apostas ilegais e mira big techs
Força-tarefa derruba domínios de bets irregulares e prepara ofensiva contra plataformas digitais

Uma força-tarefa dos Ministérios da Justiça e da Fazenda derrubou 506 endereços eletrônicos com indícios de oferta irregular de apostas. A ofensiva ocorre dias após a medida provisória que tornou ilegal a exploração e a publicidade de bets de quota fixa em todo o território nacional. Mas o bloqueio dos domínios foi apenas o primeiro movimento: a próxima etapa coloca as grandes plataformas digitais no centro do cerco.

A MP, publicada na sexta-feira (25), proibiu imediatamente novos depósitos. Os sites autorizados a operar até então têm até as 23h59 de 5 de outubro para permitir saques. No dia seguinte, Anatel e CGI entram em campo para retirar do ar qualquer plataforma que permaneça ativa. O cenário muda de figura para quem achava que a regulação de 2024 — com 85 outorgas vendidas a R$ 30 milhões cada — daria segurança jurídica ao setor.

O vácuo da publicidade digital

Relatório do Laboratório de Operações Cibernéticas da Secretaria Nacional de Segurança Pública revela um detalhe crítico: anúncios de bets continuaram a circular nas principais redes sociais após a publicação da MP. Parte desse material foi produzido depois da entrada em vigor da norma.

A legislação deu dez dias para a retirada de peças já em circulação — prazo que vence em 5 de outubro. O problema técnico é que a maioria das plataformas não expõe a data inicial de veiculação do anúncio. Sem esse carimbo temporal, fica impossível distinguir o que é resquício permitido do que é infração flagrante.

Reunião técnica com as big techs: o que está em jogo

Para resolver o impasse, o governo propõe uma reunião técnica com representantes das grandes plataformas. A pauta vai além da simples remoção de peças publicitárias. Estão na mesa:

  • Bloqueio preventivo de novos anúncios de apostas;
  • Mecanismos para detectar páginas com identidade dissimulada e links mascarados;
  • Tratamento de conteúdos promovidos por afiliados e influenciadores digitais;
  • Preservação de dados dos anunciantes identificados para eventuais investigações.

Segundo os ministérios, muitos anúncios usavam nomes de páginas diferentes das marcas anunciadas e domínios que não correspondiam ao destino final do clique. Esses indícios sugerem ocultação deliberada do anunciante real e do fluxo de tráfego.

O efeito dominó para afiliados e criadores de conteúdo

A menção explícita a afiliados e influenciadores na pauta da reunião sinaliza que a responsabilização pode descer a cadeia. Não se trata mais apenas de derrubar o site da operadora. Quem promove, direciona tráfego ou mascara links para bets irregulares passa a ser alvo direto da fiscalização. Para agências de marketing e creators que monetizavam esse nicho, o sinal é de alerta vermelho.

Cronologia decisiva: o que observar daqui para frente

Os próximos dez dias definem o ritmo da transição. Até 5 de outubro, o foco é a limpeza do inventário publicitário existente. A partir de 6 de outubro, a ação passa a ser de infraestrutura: bloqueio de DNS e IP via Anatel e CGI para qualquer domínio que ofereça apostas de quota fixa.

Para o mercado, resta monitorar dois vetores: a adesão efetiva das big techs ao protocolo de bloqueio automatizado e a capacidade do Estado de manter a “lista suja” de domínios atualizada em tempo real. A história das 85 outorgas vendidas em 2024 virou pano de fundo; a regra do jogo agora é a interdição total.