Economia

O que os presidenciáveis disseram (e calaram) no último fim de semana antes do voto

Candidatos à presidência do Brasil em campanha nas ruas e estúdios, com símbolos de economia e apostas
Presidenciáveis divergem sobre rumos da economia a sete dias do primeiro turno.

Faltam sete dias para o primeiro turno e a campanha entrou na reta final com discursos que sinalizam rumos opostos para a economia. Enquanto uns defendem mão pesada contra apostas e juros altos, outros apostam em petróleo e desregulamentação para crescer.

O fim de semana serviu de termômetro: quem foi às ruas, quem preferiu estúdios e quais propostas podem chegar ao Planalto. A resposta pode mudar o cenário para investidores e empresários a partir de segunda-feira.

O vetor das bets: proibição total ou taxação pesada?

O tema mais transversal das agendas foi a regulação das apostas online. Lula (PT) endureceu o tom após assinar medida provisória na sexta-feira (25): classificou o setor como “mentira que endivida o pobre” e prometeu fiscalização rigorosa contra casas clandestinas.

Augusto Cury (Avante) foi além: defendeu extinção pura e simples ou taxação agressiva, citando danos à saúde mental e à economia real. Ronaldo Caiado (PSD) alinhou-se à restrição dura à publicidade, mas evitou falar em proibição total.

Para o mercado, a incerteza regulatória permanece. A MP assinada por Lula tramita no Congresso e seu destino depende da composição do próximo Legislativo.

Trabalho e renda: a escala 6×1 e o crédito ao agro

Lula reforçou a bandeira do fim da escala 6×1 — projeto que tramita no Congresso e divide empresários do varejo e serviços. A proposta pode elevar custos trabalhistas em até 20% nos setores intensivos em mão de obra, segundo estimativas setoriais.

Do outro lado, Romeu Zema (Novo) centrou fogo no agronegócio: mais crédito, criação de seguro-safra e juros baixos para “viabilizar maior nível de produção”. Em Minas, estado que governa, o setor responde por 28% do PIB local.

Renan Santos (Missão) resumiu a plataforma liberal: redução de impostos e custos estatais. Sem detalhar como compensaria a arrecadação.

Energia e segurança: as apostas de Flávio Bolsonaro (PL)

Em Sergipe, o candidato prometeu explorar petróleo no litoral do estado — “riqueza que Deus deu” — e levar o usufruto à população local. A fala acena à base eleitoral, mas ignora o arcabouço de partilha e royalties já vigente.

No pacote de segurança, defendeu: redução da maioridade penal, CNH para menores, castração química para estupradores e programas de empreendedorismo. Medidas que exigem mudanças constitucionais e aprovação no Congresso.

O mapa das ruas vs. o mapa dos estúdios

  • Caminhadas e carreatas: Lula (SP), Zema (MG), Cury (BA/MG), Samara Martins (SC), Flávio Bolsonaro (RJ/SE/GO), Wilson Grassi (BA)
  • Debates em podcasts/canais alternativos: Rui Costa Pimenta, Samara Martins, Wilson Grassi, Hertz Dias, Clariana Barão
  • Agenda religiosa/institucional: Caiado (missa em GO), Edmilson Costa (bloco carnavalesco no PR)
  • Silêncio total: Leonardo Avalanche (PRTB) não divulgou agenda

A divisão expõe estratégias distintas: candidatos com estrutura partidária forte ocupam o espaço físico; nanicos buscam nichos digitais onde o custo por voto é menor.

O que observar nos próximos sete dias

Três variáveis definirão o cenário pós-primeiro turno para quem decide alocação de capital:

  1. Desempenho das chapas de centro-direita (Zema, Caiado, Flávio Bolsonaro): se nenhum ultrapassar 15%, a polarização PT vs. PL se consolida e a volatilidade cambial tende a subir.
  2. Tramitação da MP das bets no Congresso: votação antes do segundo turno sinaliza governabilidade; travamento indica paralisia legislativa.
  3. Adesão ao fim da escala 6×1: apoio explícito de candidatos a governadores e bancadas estaduais antecipa custos setoriais para 2027.

O domingo (4) não encerra a disputa — apenas define o tabuleiro. Quem leu até aqui tem o mapa das peças. Agora é acompanhar o lance.