A Microsoft foi eleita, pelo segundo ano consecutivo, a melhor empresa para trabalhar no Brasil em 2026, segundo levantamento da Time em parceria com a Statista. A surpresa, no entanto, vem logo na sequência: uma contabilidade baseada em tecnologia conquistou a quinta posição geral, superando gigantes globais.
O estudo ouviu 900 mil profissionais de diferentes setores. A pergunta central era simples: você recomendaria sua empresa como empregadora? A partir das respostas, 500 organizações foram ranqueadas. Abaixo, o que os números revelam sobre o mercado de talentos hoje.
Tecnologia dita as regras do jogo
O topo da tabela é um território quase exclusivo de big techs. SAP, Alphabet (dona do Google) e IBM completam as quatro primeiras colocações, todas com notas acima de 97,5. O domínio do setor não é novidade, mas a distância para os demais segmentos aumentou.
Entre as dez primeiras, metade atua em TI, internet ou software. Isso sinaliza que, além de salários competitivos, a cultura de autonomia e inovação continua sendo o principal diferencial de retenção.
O “cisne negro” brasileiro no top 5
A Contabilizei, nascida no ecossistema de startups, atingiu 96,4 pontos e ficou à frente de nomes como Volvo, Embraer e Nestlé. O feito coloca a empresa como a brasileira mais bem posicionada da história deste ranking.
Outras duas nacionais aparecem no top 10: a Embraer, em oitavo (95,3), e a Insi, em décimo (95,14). Ambas reforçam a tese de que engenharia de ponta e desenvolvimento de software proprietário geram engajamento interno superior à média industrial.
Setores que avançaram fora do radar tech
Saúde e educação ganharam espaço relevante. O Hospital Israelita Albert Einstein aparece em sétimo (95,85), enquanto universidades federais (UFRN, Unesp) e institutos técnicos (IFMG, IFSP) figuram entre as 40 primeiras.
No varejo e consumo, destaque para o Grupo Boticário (27º) e Natura &Co (64º). No agronegócio, Amaggi (51º) e Agro Amazônia (95º) mostram que a gestão de pessoas acompanhou a sofisticação do setor.
Recorte por origem: multinacionais ainda lideram volume
Das 100 primeiras, 42 têm sede no exterior. Estados Unidos (17), Alemanha (11) e França (6) são os países mais representados. A lista traz ainda suecos (Volvo), dinamarqueses (Novo Nordisk), suíços (Nestlé), argentinos (Arcor, Mercado Livre), japoneses (Toyota), sul-coreanos (LG, Samsung), italianos (Pirelli), austríacos (RHI Magnesita), taiwaneses (Foxconn), chilenos (Sonda), espanhóis (Aena, Gestamp), britânicos (TechnipFMC) e luxemburgueses (ArcelorMittal).
- Top 3 setores: TI/Software (22 empresas), Automotivo (11), Químicos/Mineração (10).
- Maior nota: Microsoft (100 pontos).
- Corte do top 100: 86,11 pontos (Caterpillar, Cooper Standard, Direcional).
O que separa as líderes das seguidoras
A metodologia pondera duas variáveis: recomendação direta do próprio empregador e indicação de pares do mesmo setor. Empresas que pontuam alto nas duas dimensões tendem a ter branding empregador consistente, não apenas benefícios pontuais.
Outro padrão: organizações com forte componente de P&D ou alta densidade de conhecimento (farmacêuticas, aeroespacial, semicondutores) aparecem consistentemente acima da média. A WEG (31º), a Siemens (38º) e a Foxconn (39º) ilustram esse movimento.
O que observar daqui para frente
O avanço de instituições públicas de ensino e órgãos reguladores (Anvisa em 13º, ANP em 74º) sugere que estabilidade e propósito social voltaram a pesar na decisão de carreira. Para executivos e investidores, o recado é claro: capital humano virou ativo de balanço. Quem não mede — e não melhora — a experiência do colaborador perde valor de mercado antes de perceber.
Acompanhe a evolução das notas setoriais nos próximos ciclos. A distância entre o topo tech e o meio da tabela pode ditar a próxima onda de fusões, aquisições e disputas por talentos escassos.
