Justiça

Senado em MG: O empate técnico que esconde a verdadeira disputa de 2026…

Pesquisa Datafolha mostra empate técnico na corrida ao Senado por Minas Gerais com quatro candidatos entre 9% e 13%
Quatro nomes disputam duas vagas ao Senado por MG em cenário de indecisão majoritária do eleitorado.

Uma nova pesquisa Datafolha revela um cenário de fragmentação total na corrida pelas duas vagas de Minas Gerais no Senado: quatro nomes oscilam entre 9% e 13%, enquanto dois terços do eleitorado sequer sabem em quem votar. O dado expõe a volatilidade de um pleito onde a definição dos vencedores depende menos de preferência consolidada e mais da capacidade de mobilização de última hora.

O levantamento, realizado entre 22 e 24 de setembro com 1.204 eleitores, traz uma radiografia precisa do vácuo de poder no estado. A margem de erro é de três pontos percentuais, o que coloca Marília Campos (PT), Aécio Neves (PSDB), Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL) rigorosamente no mesmo patamar competitivo.

O xadrez das duas vagas: como o eleitor está pensando

Como cada mineiro vota em dois candidatos distintos, a pesquisa separou as intenções para a “primeira” e “segunda” vaga. Essa divisão expõe estratégias diferentes: enquanto a petista Marília Campos lidera isolada na primeira preferência com 18%, ela cai para 8% na segunda menção, sugerindo um eleitorado fiel, mas com dificuldade de transbordar.

Já Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL) mostram equilíbrio: aparecem com 13% e 10% na primeira vaga, respectivamente, e empatam tecnicamente com 8% cada na segunda. Aécio Neves (PSDB) repete o padrão de Marília: forte na primeira menção (15%), mais fraco na segunda (7%).

  • Marília Campos (PT): 13% no total estimulado (18% na 1ª vaga / 8% na 2ª)
  • Aécio Neves (PSDB): 11% no total (15% na 1ª / 7% na 2ª)
  • Carlos Viana (PSD): 11% no total (13% na 1ª / 8% na 2ª)
  • Domingos Sávio (PL): 9% no total (10% na 1ª / 8% na 2ª)

O abismo entre espontânea e estimulada

O dado mais revelador para estrategistas não está nas manchetes, mas na pesquisa espontânea — onde nenhum nome é apresentado. Ali, 67% dos entrevistados não citam ninguém. Marília Campos, líder no estimulado, atinge apenas 5% de recall puro. Carlos Viana aparece com 4%.

Essa discrepância de mais de 10 pontos percentuais entre o “topo de mente” e a resposta estimulada sinaliza que a eleição está aberta para quem conseguir transformar estrutura partidária e tempo de TV em lembrança de urna. Não há favorito natural; há uma disputa por atenção.

Quem cresce, quem estagna e o voto de protesto

Comparando com o levantamento de 11 de setembro, os movimentos são milimétricos, mas indicam vetores. Áurea Carolina (PSOL) saltou de 3% para 5% no total estimulado e dobrou na segunda vaga (de 6% para 8%), capturando parte do eleitorado progressista indeciso.

Em contrapartida, o bloco de “brancos, nulos e nenhum” caiu de 18% para 14% no total, sugerindo que o eleitor começa a aceitar a obrigação de escolher dois nomes, mesmo sem entusiasmo. Os indecisos, porém, permanecem estáveis na casa dos 20%, uma reserva de votos gigantesca a 11 meses da eleição.

O que observar daqui para a frente

Com 54 das 81 cadeiras do Senado em jogo em 2026, Minas Gerais será um termômetro nacional da correlação de forças entre o governo federal (PT), a centro-direita tradicional (PSDB/PSD) e a oposição de direita (PL). A definição das chapas proporcionais — deputados federais e estaduais que puxam votos para o Senado — será o divisor de águas.

Para o analista de risco político, a variável crítica não é quem lidera agora, mas a taxa de conversão de estrutura em votos válidos. Com 67% de “não sabe” na espontânea, a margem de três pontos percentuais deixa qualquer projeção em aberto. O jogo real começa quando a propaganda eleitoral obrigatória invadir a tela do eleitor mediano.