O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece como favorito absoluto para o governo de Minas Gerais em 2026, vencendo todos os cenários de segundo turno testados pelo Datafolha. A distância para os adversários supera 30 pontos percentuais. A pergunta que fica é: existe espaço para reversão desse quadro?
O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (24), foi encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo. Foram ouvidos 1.204 eleitores entre 22 e 24 de setembro, com margem de erro de três pontos para mais ou para menos.
Os números que desenham o favoritismo
Nos dois confrontos simulados, o desempenho do parlamentar se mostra consistente e em leve alta na comparação com a pesquisa anterior, de 11 de setembro. Veja o detalhe:
- Cleitinho x Alexandre Kalil (PDT): 57% a 26% (brancos/nulos 11%, indecisos 6%).
- Cleitinho x Patrus Ananias (PT): 60% a 23% (brancos/nulos 10%, indecisos 7%).
Em ambos os casos, a soma de votos nulos, brancos e indecisos não alcança a votação do líder. Isso indica uma rejeição controlada e alta captação de voto útil já no primeiro momento.
Evolução curta, mas significativa
O movimento mais relevante não é apenas a liderança, mas a direção das curvas. Contra Kalil, Cleitinho subiu de 54% para 57%, enquanto o pedetista caiu de 29% para 26%. No duelo petista, o senador oscilou de 59% para 60%, e Patrus recuou de 24% para 23%.
As variações estão dentro da margem de erro, mas o vetor é unidirecional: consolidação do nome de direita e estagnação ou queda das alternativas de centro-esquerda. O eleitorado mineiro, historicamente volátil, dá sinais de definição precoce.
O peso da máquina e a fragmentação oposicionista
Dois fatores estruturais explicam o cenário. Primeiro, a visibilidade nacional do senador, amplificada por redes sociais e pautas de costumes, que ressoam forte no eleitorado mineiro. Segundo, a incapacidade — até aqui — de Kalil e Patrus de unificarem o campo progressista já no primeiro turno.
A pesquisa de intenção de voto para o primeiro turno, divulgada junto, reforça o diagnóstico: Cleitinho tem 40%, Patrus 15% e Kalil apenas 9%. A fragmentação impede a formação de um “anti-Cleitinho” competitivo antes da reta final.
Senado e avaliação do governo estadual: o contexto completo
O mesmo levantamento trouxe dados paralelos que completam o xadrez político de Minas:
- Disputa ao Senado: Marília Arraes lidera com 13%, seguida por Aécio Neves e Márcio Viana, ambos com 11%. Cenário aberto, com 30% de indecisos.
- Aprovação do governador Mateus Simões (Novo): 41% aprovam, 33% desaprovam. Número positivo, mas que não transfere automaticamente para um sucessor definido.
Esses números mostram que a eleição majoritária estadual gira, hoje, quase exclusivamente em torno da figura do senador republicano.
O que observar daqui para frente
A campanha oficial só começa em 2026, mas a pré-campanha já dita o ritmo. Três variáveis podem alterar a fotografia atual: a definição de palanques nacionais (Lula vs. Bolsonaro), a entrada deeventuais “terceiras vias” com capilaridade no interior e a judicialização de eventuais inelegibilidades.
Para o empresariado e investidores, o recado é de previsibilidade no curto prazo: a probabilidade de uma gestão alinhada ao espectro conservador/liberal no executivo mineiro é alta. O monitoramento deve focar na montagem da chapa majoritária e no programa econômico que será apresentado — esse sim, o verdadeiro termômetro para o ambiente de negócios nos próximos quatro anos.
