Pela primeira vez desde o início do mandato, a avaliação positiva da gestão Raquel Lyra (PSD) atinge a marca de 50% entre os pernambucanos. A rejeição, por sua vez, recuou para 19% — o menor patamar registrado até aqui. Os dados são da nova pesquisa Datafolha, realizada entre 22 e 24 de setembro com 1.204 eleitores.
O cenário sugere consolidação, mas esconde nuances que podem definir os próximos passos da governadora. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
O que mudou desde setembro
O levantamento anterior, divulgado em 11 de setembro, mostrava 48% de aprovação (ótima/boa) e 20% de rejeição (ruim/péssima). A oscilação de dois pontos para cima na avaliação positiva e um ponto para baixo na negativa está dentro da margem de erro — tecnicamente, empate técnico. Ainda assim, a direção do movimento chama atenção.
O percentual dos que consideram a gestão “regular” travou em 30%, inalterado. Ou seja: a melhora veio de quem antes via o governo negativamente, não dos indecisos.
Aprovação do trabalho segue estável em 65%
Quando a pergunta muda para “aprova ou desaprova o trabalho da governadora?”, o retrato é de estabilidade absoluta: 65% aprovam, 31% desaprovam, 4% não opinam. Os números são idênticos aos de setembro.
Essa dissociação — avaliação da gestão melhora, mas aprovação pessoal não mexe — sinaliza que o eleitor separa a figura da governadora da entrega administrativa. Um detalhe relevante para 2026.
O recorte que ninguém comenta
A pesquisa não detalha por região, renda ou escolaridade no release público. Mas o histórico do Datafolha em Pernambuco mostra que a força de Raquel costuma concentrar-se no interior e entre eleitores de menor renda, enquanto a capital e classes mais altas tendem a ser mais críticas.
Se a alta da aprovação veio justamente das áreas onde ela já era forte, o teto pode estar próximo. Se veio de onde era fraca, há espaço para crescer.
Cenários para 2026: o que observar daqui pra frente
- Entregas visíveis: obras de infraestrutura e saúde no interior costumam mover o ponteiro mais que anúncios.
- Oposição organizada: a rejeição de 19% ainda deixa base para um nome competitivo, se houver unidade.
- Economia local: geração de emprego e inflação de alimentos impactam o voto de renda baixa — o eleitorado mais volátil.
- Pesquisas qualitativas: números brutos não capturam sentimento de “mudança” ou “continuidade” que decide eleição.
O próximo Datafolha deve ir a campo no primeiro trimestre de 2025. Até lá, a governadora tem uma janela: transformar aprovação passiva em capital político ativo. O regular de 30% é o termômetro — se virar “bom”, a reeleição fica mais confortável. Se virar “ruim”, o jogo vira.
