Economia

Itaú assina R$ 1,17 bi por torres de alto padrão: o fim do home office?

Complexo Esther Towers em São Paulo, sede do novo contrato de locação do Itaú Unibanco
Esther Towers, na zona sul de São Paulo, abrigará 9,6 mil posições de trabalho do Itaú em contrato de R$ 1,17 bilhão.

O Itaú Unibanco acaba de fechar o maior contrato de locação corporativa dos últimos anos no Brasil: R$ 1,17 bilhão por dez anos no complexo Esther Towers, na zona sul de São Paulo. O acordo prevê 9,6 mil posições de trabalho e sinaliza uma guinada radical na estratégia de ocupação do maior banco privado do país. Mas o valor bilionário esconde uma conta muito mais estratégica do que apenas metros quadrados.

O maior contrato corporativo da década

Assinado via subsidiária Mairiporã Incorporadora, da Eztec, o contrato tem prazo de dez anos com opção de renovação por mais cinco. A correção anual será feita pelo IPCA, o que blinda o fluxo de caixa contra a inflação. Na prática, a receita anualizada gira em torno de R$ 117 milhões — valor próximo aos R$ 130 milhões de NOI (receita operacional líquida) projetados pelo BTG Pactual para o ativo.

A entrega das torres ocorre de forma escalonada entre o fim de 2024 e meados de 2027. Cada uma das duas torres possui 26 andares, lajes de 800 m² a 2.000 m² e conexão direta por um heliponto central. A localização, no eixo da Chucri Zaidan, coloca o banco ao lado de grandes players de tecnologia e serviços, longe do eixo tradicional da Faria Lima.

Por que isso muda a tese de investimento da Eztec

Para o mercado, a assinatura remove a principal incerteza que pesava sobre as ações da incorporadora (EZTC3), negociadas a R$ 12,95 na B3. Em março, o próprio Itaú BBA já classificava os papéis como “descontados” e via a venda ou locação do Esther Towers como o gatilho para a reprecificação do ativo.

  • Receita garantida: R$ 117 milhões/ano por uma década.
  • Peso no resultado: Equivale a cerca de 20% do lucro projetado para a Eztec em 2027.
  • Desalavancagem: Fluxo de caixa robusto para reduzir dívida ou financiar novos lançamentos.

Casas de análise como o BTG viam a transação como o “impulsionador” necessário para destravar o valor da ação. A concretização do aluguel — e não a venda — mantém o ativo no balanço da incorporadora gerando renda recorrente, o que costuma ser bem-vindo por investidores de dividendos.

A estratégia por trás da volta obrigatória

O movimento imobiliário não acontece no vácuo. Internamente, o banco comunicou recentemente o endurecimento do modelo híbrido: a partir de 2028, funcionários administrativos terão frequência mínima de três dias por semana nos escritórios. Hoje, a regra é de apenas oito dias por mês.

Superintendentes e diretores antecipam a mudança: já em 2025, a presença passa a ser de quatro dias. Com mais de 80 mil colaboradores no país, a demanda por espaço físico de qualidade — que favoreça colaboração e integração, nas palavras do banco — deixou de ser opcional para virar necessidade operacional.

O que observar daqui para frente

O Esther Towers se soma às operações já existentes na Faria Lima e no Jabaquara (sede), criando um terceiro polo estratégico. A velocidade de ocupação das torres conforme a entrega das obras — e a adesão real dos times à nova regra de três dias — ditará se o investimento de R$ 1,17 bilhão se traduz em produtividade ou apenas em custo fixo elevado.

Para o investidor, o termômetro agora muda da “assinatura do contrato” para a “entrega física” e “ocupação efetiva”. O próximo gatilho de valor para a Eztec será a geração de caixa efetiva a partir de 2025. Para o mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo, o recado está dado: a vacância de qualidade tem comprador, e ele tem apetite bilionário.