Carolina da Costa estreia nesta quinta-feira (17) como colunista do C-Level, portal de negócios da Folha, trazendo 20 anos de experiência em transição econômica para a maior audiência executiva do país. A diretora de impacto da Stone promete mexer nas certezas de quem comanda orçamentos e estratégias.
O primeiro texto vai ao ar no site hoje e na edição impressa de sexta (18). A proposta: discutir economia em transição e novas fronteiras de criação de valor — temas que, até pouco tempo, ficavam restritos a relatórios de sustentabilidade.
Por que uma executiva de “impacto” virou colunista de negócios
A resposta está no currículo. Aos 52 anos, Carolina não é teórica. Formada em administração pública pela FGV e doutora em pensamento crítico e sistêmico pela Rutgers University, ela passa duas décadas implementando projetos em educação, saúde e gestão de ativos antes de assumir a diretoria de impacto da Stone em 2023.
Na fintech, comanda frentes de inclusão financeira e digital baseadas em três pilares: educação, acesso a capital via microcrédito e fortalecimento de comunidades. Paralelamente, atua como membro independente no comitê de ESG do Grupo Boticário e integra o conselho do Capital for Climate.
O método: olhar para as adjacências
“Como você educa o talento que precisa ser desenvolvido para ter uma visão crítica e sistêmica?”, pergunta Carolina. A frase resume a abordagem que levará à coluna. Não se trata de filantropia corporativa, mas de identificar lacunas de mercado que a visão tradicional ignora.
- Consumidores invisíveis: segmentos não atendidos que podem se tornar relevantes
- Capital integrado: alinhar retorno financeiro a externalidades positivas
- Viés executivo: reduzir enviesamentos que cegam para oportunidades laterais
Em 2021, ainda como sócia da Mauá Capital, foi premiada pela Anefac por projetos que uniam inovação e sustentabilidade financeira — sinal de que o mercado já reconhecia a tese antes de ela virar mainstream.
O que muda para quem lê a Folha
A chegada de Carolina ao C-Level sinaliza uma mudança editorial: pautas de transição climática, inclusão financeira e pensamento sistêmico deixam de ser “suplemento” para virar pauta principal de decisão de negócio. A coluna deve abordar desde regulação de carbono até modelos de microcrédito que escalam sem perder capilaridade.
Mas o efeito mais relevante aparece na linguagem. Ao evitar polarização e adotar variáveis sistêmicas, a coluna propõe um vocabulário novo para velhos dilemas: como crescer sem externalizar custos? Como inovar sem repetir vieses?
O que observar daqui para frente
Primeiro, a frequência: quinzenal no impresso, semanal no digital. Segundo, os convidados — Carolina adiantou que trará vozes de “mercados públicos e negócios” pouco ouvidos no circuito Faria Lima. Terceiro, a aplicação prática: cada texto deve terminar com uma pergunta ou ferramenta que o leitor possa levar para a reunião de segunda-feira.
Para o empresário ou investidor que acompanha a coluna, o recado é claro: a fronteira entre “negócio de verdade” e “negócio de impacto” está se dissolvendo. Quem não aprender a ler as adjacências — consumidores, reguladores, comunidades, clima — pode descobrir tarde demais que o mapa mudou.
