Economia

Xi ordena: manufatura avançada da China deve ficar “maior e mais forte”

Xi Jinping discursa na Conferência Nacional de Manufatura Avançada em Pequim, com backdrop de fábrica automatizada de alta tecnologia
Presidente Xi Jinping anuncia meta de tornar manufatura avançada chinesa "maior e mais forte" em conferência nacional.

O presidente Xi Jinping determinou que a China expanda e fortaleça seu setor de manufatura avançada, elevando o controle sobre cadeias industriais estratégicas. A diretriz foi dada durante a Conferência Nacional de Manufatura Avançada, em Pequim, e sinaliza uma aposta decisiva do governo chinês. Mas o que isso significa na prática para a economia global?

O discurso de Xi deixa claro: a manufatura de ponta será a espinha dorsal de um novo sistema industrial moderno. Não se trata apenas de produzir mais — o objetivo é ganhar autonomia tecnológica e reduzir dependências externas. Enquanto isso, a Europa já sente o impacto das exportações chinesas de veículos elétricos e tecnologias verdes.

O tal “Choque da China 2.0” já tem endereço

Analistas internacionais batizaram o fenômeno de “Choque da China 2.0”. A primeira onda, nos anos 2000, inundou o mundo com bens de consumo baratos. A atual carrega outro peso: produtos de alta tecnologia, com margens maiores e cadeias de valor mais complexas. Veículos elétricos, baterias, painéis solares e equipamentos de telecomunicações lideram a ofensiva.

Países europeus, em particular, veem seus setores industriais sob pressão. A Comissão Europeia abriu investigações sobre subsídios estatais chineses. Tarifas retaliatórias não estão descartadas. O risco de fragmentação comercial cresce a cada trimestre.

Crédito migrou do imobiliário para a fábrica

Nos bastidores, Pequim redirecionou recursos financeiros. O setor imobiliário, antes motor do crescimento, perdeu prioridade. Bancos estatais receberam orientação para financiar projetos de manufatura avançada, semicondutores, inteligência artificial e biotecnologia. O resultado:

  • Investimento em ativos fixos de alta tecnologia subiu dois dígitos em 2023
  • Patentes de invenção concedidas ultrapassaram 400 mil no ano passado
  • Exportações de “novos três” (VE, baterias, solar) superaram US$ 100 bilhões

Mas há um nó: o boom industrial ainda não se traduziu em renda familiar robusta. O consumo interno patina. Jovens enfrentam desemprego elevado. A equação crescimento sem distribuição permanece sem solução clara.

Li Qiang detalha: digitalização e IA no centro

O primeiro-ministro Li Qiang complementou a visão de Xi. A ordem agora é acelerar a manufatura inteligente de última geração. Dois vetores mandam no jogo: digitalização e inteligência artificial. Fábricas “escuras” — totalmente automatizadas — deixam de ser piloto para virar meta.

O governo também pressiona por tecnologias de ponta nacionais. Semicondutores, sistemas operacionais industriais, ferramentas de máquina de precisão alta: a lista de “gargalos” a serem rompidos é longa. Empresas estatais e privadas recebem metas claras. O fracasso não é opção.

O que observar daqui para frente

Três variáveis vão ditar o ritmo nos próximos trimestres. Primeira: a resposta ocidental — tarifas, barreiras de segurança nacional, subsídios próprios. Segunda: a capacidade chinesa de converter investimento massivo em produtividade real, não apenas capacidade ociosa. Terceira: o consumo doméstico. Sem ele, a fábrica gira, mas a roda não fecha. Empresários e investidores devem monitorar os dados de crédito setorial mensal e as revisões do Plano Quinquenal. O tabuleiro mudou. Quem antecipa a próxima jogada leva vantagem.