Cultura

Queijo Artesanal: O domínio do Sul de Minas na final que ninguém previu…

Queijos artesanais premiados do Sul de Minas em tábua de madeira rústica
Treze queijos do Sul de Minas estão entre os 27 finalistas do 19º Concurso Estadual.

Treze produtores do Sul de Minas garantiram vaga entre os 27 finalistas do 19º Concurso Estadual de Queijos Artesanais, representando quase metade dos selecionados em um universo de 148 inscritos. A concentração regional revela uma maturidade técnica que vai além da tradição. O que esse resultado sinaliza para o mercado de lácteos premium?

O mapa da excelência: onde estão os finalistas

A Emater-MG divulgou a lista nesta semana, confirmando a força de municípios já consagrados e a ascensão de novos polos. A disputa final acontece em 14 de novembro, em Diamantina, mas a classificação já funciona como um selo de qualidade para compradores e investidores.

A distribuição dos 13 nomes por cidade desenha o novo eixo de valor da região:

  • Itamonte: 5 representantes (maior contingente individual)
  • Alagoa: 4 produtores
  • Aiuruoca, Itanhandu, Virgínia e São João Batista do Glória: 1 cada

Por que investidores devem olhar para essa lista

Não se trata apenas de troféus. Os cinco primeiros de cada categoria recebem premiação, mas todos os finalistas levam para casa um relatório técnico detalhado com a avaliação sensorial e fisicoquímica feita por jurados especializados. Para o empresário, esse documento vale mais que a medalha: é um diagnóstico de gestão de qualidade gratuito e de alta credibilidade.

Além disso, a visibilidade do concurso abre portas para feiras nacionais, exportação e canais gourmet que exigem rastreabilidade e reconhecimento oficial. A categoria “Queijo Minas Artesanal” — a mais tradicional — divide espaço com três categorias de massas aquecidas, incluindo a estreia do Vale do Suaçuí, sinalizando diversificação de portfólio.

O rigor por trás da seleção

A avaliação ocorreu em 28 de outubro, em Diamantina, conduzida por pesquisadores da cadeia queijeira e chefs de cozinha. O júri analisou aparência, textura, aroma e sabor seguindo fichas técnicas padronizadas. Esse nível de escrutínio garante que o selo de finalista não seja apenas participativo, mas meritocrático.

Para o produtor, a feedback técnico permite ajustes finos na receita, no manejo do leite cru e na maturação — fatores que impactam diretamente o custo-benefício e a vida de prateleira do produto.

Os 13 nomes que definem a safra 2024

Confira os empreendimentos que carregam a bandeira do Sul de Minas para a final estadual:

  • Alagoa: Aldo Gabriel de Barros (Sítio 3 Irmãos); Lourenço Martins de Barros (Queijo Capital); Renato de Souza (Queijo Bela Vista); Valdeci Mendes de Andrade (Queijo Bugio).
  • Aiuruoca: Guilherme Arantes R. Maciel e Jeferson Gifoni Arantes (GOA).
  • Itamonte: Fabiano Tavares Fonseca (Queijaria Capoeira Grande); Jó Ribeiro de Carvalho (Queijaria Sítio Braguinha); Odair Pena Fonseca (Queijaria Recanto da Serra); Renato Almeida Fonseca (Queijaria Dom Carmelo); Thiago Silva Pinto Barbosa (Queijaria Capril da Serra).
  • Itanhandu: Lucileide da Silva Castro Batista (Queijaria Cinquenta).
  • Virgínia: Carlos Henrique Cugler Lamim (Rancho Maranata).
  • São João Batista do Glória: Henrique Augusto Correia Resende (Queijaria 2R).

O que observar daqui para a frente

A cerimônia de 14 de novembro em Diamantina será o termômetro final, mas o movimento estratégico já está em curso. A entrada do Vale do Suaçuí na disputa das massas aquecidas amplia o mapa de Indicação Geográfica (IG) potencial no estado. Para quem acompanha o agro negócio mineiro, a leitura é clara: a profissionalização da queijaria artesanal deixou de ser promessa para virar ativo de balanço. Monitorar quais desses 13 nomes convertem a final em contratos de longo prazo com redes especializadas será o melhor indicador de rentabilidade do setor nos próximos trimestres.