O governador Rafael Fonteles confirmou neste sábado (7) que Marcelo Nunes Nolleto permanece no comando da Secretaria de Comunicação (Secom) para o segundo mandato. A decisão sinaliza uma estratégia clara: manter a arquitetura de diálogo com a população que marcou os primeiros quatro anos. Mas o que essa continuidade revela sobre os próximos passos da gestão?
O anúncio veio pelas redes sociais do próprio governador, seguindo o padrão de outras confirmações recentes. Nolleto assume a pasta pela segunda vez consecutiva, agora com o desafio de navegar em um cenário de fragmentação midiática ainda mais intensa.
O quarto pilar da continuidade administrativa
Essa é a quarta permanência confirmada para o próximo mandato. Antes de Nolleto, Fonteles já havia garantido a continuidade nos comandos da Educação, da Saúde e da Segurança Pública. O movimento desenha um governo que aposta na estabilidade técnica em vez de rupturas políticas.
Em comum, os quatro secretários compartilham conhecimento profundo da máquina estadual e relacionamento consolidado com a base aliada. A escolha reduz a curva de aprendizado e acelera a execução de programas já em andamento.
Por que a Comunicação virou peça-chave
Fonteles foi direto ao justificar a decisão: a comunicação pública é “fundamental para fortalecer a Democracia, explicar as políticas públicas para a população e incentivar a participação social nas decisões do Governo”. A frase não é retórica vazia — reflete uma mudança real na forma como governos dialogam com cidadãos.
Nos últimos quatro anos, a Secom do Piauí expandiu presença em plataformas digitais, fortaleceu canais próprios e investiu em formatos de linguagem acessível. O resultado aparece nos índices de aprovação que levaram à reeleição no primeiro turno com 70,90% dos votos válidos.
O desafio da “comunicação frenética”
O próprio governador reconheceu a complexidade do cenário atual: “tempos de comunicação frenética e com enorme multiplicidade de formas e veículos”. A descrição resume o ambiente que Nolleto encontrará nos próximos quatro anos:
- Fragmentação de audiências em dezenas de plataformas
- Velocidade de ciclos noticiosos medidos em horas
- Crescimento de desinformação coordenada
- Exigência de transparência em tempo real
Enfrentar isso exige estrutura, equipe preparada e autonomia técnica — três ativos que a permanência preserva.
O que Fonteles sinalizou em outubro
A decisão não nasceu no vácuo. Em 29 de outubro, durante sua primeira agenda pós-eleição presidencial, o governador já antecipava o tom: “é um governo de continuidade […], mas sempre é possível alguns ajustes”. A frase-chave era “ajustes”, não “reformulação”.
Na prática, isso significa que a espinha dorsal da gestão permanece, mas áreas específicas podem receber reforços pontuais. A Comunicação, pelo visto, não está entre elas.
O que observar daqui para frente
Três movimentos merecem atenção nos primeiros 100 dias do novo mandato. Primeiro: como a Secom vai integrar inteligência de dados à produção de conteúdo para segmentar mensagens por território e perfil demográfico. Segundo: se haverá expansão de canais de escuta ativa — ouvidorias digitais, consultas públicas online, mecanismos de feedback em tempo real. Terceiro: a capacidade de manter coerência narrativa entre discurso institucional e entrega concreta de serviços.
A permanência de Nolleto garante memória institucional. O teste real será transformar essa memória em inovação comunicacional sem perder a credibilidade construída. Para empresários e investidores que monitoram o Piauí, a estabilidade na Secom é um indicador de previsibilidade na relação entre governo e setor produtivo — desde que a transparência prometida se traduza em dados abertos acessíveis e editais claros.
