Economia

Como dança inclusiva e “moeda verde” viraram cases de ESG no interior de SP

Grupo diversificado dançando em praça pública com moedas verdes nas mãos, interior de São Paulo
Dança inclusiva e moeda verde impulsionam ESG em municípios paulistas com 347 iniciativas certificadas.

Dois municípios paulistas provam que metas globais da ONU saem do papel quando empresa, poder público e comunidade alinham incentivos certos. O resultado aparece em números: 347 iniciativas certificadas só em 2025 e mais de 600 atendimentos diretos à população. Mas o segredo não está no selo — está na engenharia por trás dele.

O modelo que transforma intenção em métrica

O Selo Social não entrega certificado por adesão. Antes da chancela, as organizações passam por formação técnica, definem indicadores e precisam provar conformidade socioambiental. “Cada um constrói o projeto, relatório e mensura impacto”, resume Fernando Assanti, presidente do programa. Em 2025, o processo validou quase 350 ações em diferentes setores.

Para o Instituto Dr. Miguel Soeiro, a metodologia rendeu nove projetos reconhecidos. O mais visível atende 50 alunos com deficiência entre Sorocaba e Votorantim: balé, dança e sapateado com acompanhamento multidisciplinar. A assistente social Brenda Siqueira, do Instituto Elevar, resume o ganho prático: “Fortalece nossas ações porque elas fazem sentido com os ODS e reforçam nosso compromisso.”

Quando reciclar vira jogo com prêmios reais

Votuporanga apostou na gamificação. O aplicativo Conecta Votuporanga gera QR Code para o programa Moeda Verde: cada descarte correto nas quatro unidades Ecotudo rende até duas moedas por dia. O catálogo de recompensas inclui air fryers, TVs de 50 polegadas e, no sorteio anual, uma scooter elétrica.

A moradora Andréia Dal Bem, que vive em sítio sem coleta seletiva, virou usuária assídua: “Levo de tudo — garrafa PET, papelão, vidro, orgânico”. Para Camila Esteves da Silva, chefe de Meio Ambiente da Saev Ambiental, o objetivo é claro: “Transformar o descarte correto em hábito e ampliar a participação.”

Os números que sustentam a operação

  • 4 pontos de coleta Ecotudo ativos no município
  • 2 moedas verdes máximas por usuário/dia
  • 347 iniciativas certificadas pelo Selo Social em 2025
  • 600+ atendimentos diretos contabilizados no último ciclo
  • 50 alunos no projeto Dança com PCD entre duas cidades

O gargalo que a tecnologia não resolve sozinha

Apesar dos incentivos, o descarte irregular persiste. A resposta veio na forma de fiscalização com drones — identificam pontos clandestinos e geram autuações. A combinação “prêmio + vigilância” desenha o padrão: engajamento voluntário para a massa, consequência dura para o resíduo.

O desenho interessa a quem gere ESG corporativo: metas de resíduos sólidos, inclusão social e educação ambiental avançam juntas quando o incentivo é tangível e a medição, obrigatória.

O que observar nos próximos ciclos

A expansão do modelo depende de duas variáveis: custo de manutenção dos Ecotudos e adesão de novos municípios ao Selo Social. Se a relação custo-benefício dos prêmios se sustentar sem subsídio permanente, a “moeda verde” vira caso de estudo para políticas públicas de resíduos. Enquanto isso, o certificado segue exigindo o que muitas empresas ainda evitam: prova documentada de impacto.