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Crise no Monaco: 2 meses sem vencer e a 1ª prova de fogo de Filipe Luís

Filipe Luís tenso na beira do campo durante treino do Monaco antes de jogo decisivo contra Le Mans
Filipe Luís comanda treino do Monaco às vésperas do confronto contra Le Mans que pode definir seu futuro

O Monaco não vence há duas meses no Campeonato Francês e Filipe Luís vive seu momento mais delicado desde que atravessou o Atlântico. Se não bater o Le Mans amanhã, fora de casa, o jejum chega a oito rodadas e a pressão por resultados imediatos se torna insustentável para um clube acostumado a brigar no topo.

A queda de rendimento é vertiginosa. Em 18 de setembro, a equipe liderava a Ligue 1 após bater o Lens. Desde então, foram dois empates e duas derrotas nos últimos quatro jogos — apenas dois pontos de doze possíveis. O time despencou da ponta para a sétima colocação, abrindo cinco pontos de distância para o líder Paris Saint-Germain.

O tamanho do tombo em números

A comparação com o passado recente expõe a gravidade do momento. Nas primeiras nove rodadas da temporada passada, o Monaco somou 17 pontos. Neste ano, com o mesmo número de partidas, o saldo parou nos 15. É a pior largada do clube nas últimas quatro edições do torneio, um sinal de alerta para a diretoria monegasca.

  • Última vitória na liga: 18/09 contra o Lens (2 a 1)
  • Sequência atual: 2 empates (Lille, Toulouse) e 2 derrotas (Paris FC, Lorient)
  • Aproveitamento recente: 16,6% dos pontos disputados
  • Posição na tabela: 7º lugar (era 1º)

Mas o efeito mais relevante aparece quando se olha para o histórico do clube. O último título francês veio em 2016/17, na era Leonardo Jardim e Kylian Mbappé. Na temporada passada, a equipe nem à Liga dos Campeões conseguiu se classificar, ficando apenas na sétima posição — exatamente onde está agora.

O diagnóstico do vestiário

Após a derrota por 3 a 1 para o Paris FC, Filipe Luís descartou falta de entrega do elenco. Para o técnico, o problema é comportamental: a equipe pressiona demais, nos momentos errados, gastando energia desnecessária e se expondo aos contra-ataques. “Precisamos nos acalmar um pouco. Temos de corrigir alguns comportamentos”, resumiu o brasileiro em sua primeira crise real no futebol europeu.

A análise aponta para um desajuste tático fino. O Monaco tenta impor um ritmo de jogo que o atual plantel não consegue sustentar por 90 minutos. A ansiedade por recuperar a liderança perdida tem gerado precipitações que custam gols e pontos.

O alívio inesperado na Conference League

Enquanto afunda no cenário doméstico, o time respira na Europa. São três vitórias em três rodadas da Conference League, com 100% de aproveitamento — feito dividido apenas com Lugano, Panathinaikos e Twente. O triunfo por 2 a 0 sobre o Nordsjaelland serviu de válvula de escape, mas não mascara a urgência do campeonato nacional.

Vale lembrar: a Conference funciona como a “terceira divisão” continental. O campeão da última edição foi o Crystal Palace. Para um clube da grandeza do Monaco, o torneio serve de consolo, não de objetivo principal. A salvação da temporada passa, obrigatoriamente, pela recuperação na Ligue 1.

O que define o futuro agora

O duelo contra o Le Mans funciona como uma final antecipada. Uma nova tropeço fará a diretoria avaliar se o projeto do ex-lateral do Flamengo tem solução de curto prazo ou se a paciência se esgotou antes do Natal. O calendário não perdoa: sequência difícil na liga e jogos decisivos na Europa exigem elenco rodando e confiança restaurada.

O que observar daqui para frente: a capacidade de Filipe Luís de simplificar o modelo de jogo nos próximos treinos. Se o Monaco entrar em campo contra o Le Mans com a mesma ansiedade dos últimos jogos, a crise vira ruptura. Se houver controle emocional e eficiência, o técnico compra tempo para implementar suas ideias. A resposta sai amanhã.