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Bombardeada em 32, privatizada em 24: a usina que segura o Brasil

Usina hidrelétrica Henry Borden em Cubatão, SP: complexo centenário bombardeado em 1932 e privatizado em 2024
O complexo Henry Borden, em Cubatão (SP), completa 100 anos como pilar estratégico do sistema elétrico brasileiro.

Uma usina centenária, alvejada por bombas na Revolução de 32 e vendida por R$ 1,04 bilhão em 2024, opera hoje como o grande “seguro” do sistema elétrico nacional. O complexo Henry Borden, em Cubatão (SP), completa 100 anos combinando história militar com engenharia de ponta. Mas seu verdadeiro valor estratégico só aparece quando o resto da rede falha.

O ativo que dobrou a energia de São Paulo

Inaugurado em 1926, o complexo é formado por duas casas de força — uma externa e outra subterrânea — que somam 889 MW de potência instalada. São 14 grupos geradores alimentados por uma queda d’água de 720 metros, uma das dez maiores do mundo nesse quesito.

Na prática, a energia gerada ali abasteceria 4,2 milhões de residências. Historicamente, a entrada em operação da Henry Borden praticamente dobrou a capacidade de geração do estado, impulsionando diretamente a industrialização do Polo de Cubatão e da Baixada Santista.

Privatização bilionária e novo controle

O controle acionário da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) mudou de mãos em leilão na B3 no ano passado. O Fundo Phoenix de Investimentos em Participações Multiestratégia arrematou o ativo por R$ 1,04 bilhão, assumindo a gestão de uma infraestrutura que o mercado via como “subutilizada”, mas que o setor elétrico trata como indispensável.

  • Capacidade total: 889 MW (469 MW na usina externa + 420 MW na subterrânea)
  • Queda hidráulica: 720 metros
  • Adutoras: 8 tubos de aço cortando a Serra do Mar
  • Reservatório: Billings (construído originalmente para atender a usina)

Da sala de controle atingida ao “backup” do SIN

Em 28 de julho de 1932, hidroaviões federais bombardearam a usina para cortar a energia das fábricas de munição paulistas. Uma bomba perfurou o teto da sala de controle; ninguém se feriu gravemente, e a geração não parou. Hoje, a resiliência tem outro nome: reserva estratégica.

O complexo não opera mais na capacidade máxima diária. Desde 1992, a legislação ambiental restringe o bombeamento das águas do Rio Pinheiros para o Billings a situações emergenciais. Com isso, a Henry Borden assumiu o papel de “bateria de backup” do Sistema Interligado Nacional (SIN). Quando o anel de transmissão precisa de potência imediata — seja por pico de consumo ou falha em outra fonte —, as turbinas de Cubatão entram em ação em minutos.

O que muda daqui para frente

A inauguração do Espaço Cultural Henry Borden marca o centenário, mas o foco do novo controlador estará na otimização do ativo. A gestão privada deve buscar sinergias com o portfólio do Fundo Phoenix e pressionar por flexibilização operacional dentro dos limites ambientais.

Para investidores e grandes consumidores, o sinal é claro: a segurança energética do Sudeste passa, inevitavelmente, pela manutenção e modernização dessa estrutura de 1926. Observar como a nova gestão equilibrará a reserva hídrica do Billings, as restrições de bombeamento e a demanda por despacho rápido será o termômetro da confiabilidade do SIN nos próximos anos.