Economia

Cyrela vê fundo de crédito imobiliário caminhar para R$ 1,5 bi; veja a estratégia

Logotipo da Cyrela com prédios em construção e gráfico de crescimento representando fundo CYHF11 a caminho de R$ 1,5 bi
Cyrela expande fundo de crédito imobiliário CYHF11 para R$ 368 milhões, rumo à meta de R$ 1,5 bilhão.

A Cy Capital, gestora do grupo Cyrela, acaba de fechar a segunda emissão do fundo CYHF11 captando R$ 165 milhões e projeta ultrapassar R$ 1,5 bilhão em crédito imobiliário nos próximos ciclos. O movimento acontece enquanto as fontes tradicionais de financiamento seguem restritas.

Com a captação, o patrimônio do CYHF11 salta para aproximadamente R$ 368 milhões. Somado ao fundo listado CYCR11, a gestora já administra R$ 718 milhões em veículos de crédito imobiliário.

O motor por trás da expansão

Além dos fundos listados, a Cy Capital gere um veículo com compromisso de US$ 150 milhões de um investidor institucional estrangeiro. Os aportes ocorrem por meio de chamadas de capital graduais. A integralização total desse compromisso é o que sustenta a projeção de romper a barreira de R$ 1,5 bilhão.

“Desde a criação da Cy Capital, tivemos como compromisso crescer de forma estruturada. Avançar em crédito num ambiente de juro alto só é sustentável com disciplina na análise, originação e no risco”, afirma Danny Gampel, head de crédito estruturado da gestora.

Originação própria como diferencial

Atualmente, 85% das operações do CYHF11 são estruturadas internamente. Esse modelo — conhecido como originação própria — permite que a gestora defina diretamente as condições de financiamento, garantias e covenants.

O portfólio reúne 20 posições:

  • 19 Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs)
  • 1 participação em empreendimento residencial

Todos os CRIs estão com pagamentos em dia. Para os próximos meses, a gestora sinaliza uma carteira de potenciais operações com taxas de retorno superiores à média atual do fundo.

Para onde vai o dinheiro novo

Os recursos da segunda emissão serão alocados em:

  • Aquisição de CRIs e debêntures
  • Participações em Sociedades de Propósito Específico (SPEs)
  • Cotas de outros fundos imobiliários

A estratégia combina operações de dívida com exposição a equity em empreendimentos, diversificando o perfil de risco-retorno.

O que observar daqui pra frente

A velocidade das chamadas de capital do compromisso internacional ditam o ritmo para atingir a marca de R$ 1,5 bilhão. Outro ponto de atenção: a capacidade da gestora de manter a qualidade do portfólio — hoje com inadimplência zero — enquanto escala a originação própria num cenário de Selic elevada e seletividade de crédito mais rigorosa. O pipeline de operações com retornos acima da média do fundo será o teste real da tese nos próximos trimestres.