A OpenAI divulgou nesta quinta-feira (5) um pacote de diretrizes para negociar a instalação de data centers sem acordos de confidencialidade com autoridades públicas. A medida surge dias depois de vitórias democratas em estados-chave sinalizarem resistência eleitoral a novos empreendimentos do tipo.
O anúncio expõe uma mudança de rota: a empresa quer transformar ceticismo local em apoio, mas o cenário político sugere que a batalha será mais dura do que o previsto.
O que muda nas negociações
As novas regras proíbem non-disclosure agreements (NDAs) com agentes públicos durante discussões de terrenos e licenciamento. Informações proprietárias seguem protegidas, mas moradores terão acesso a cronogramas de obra, projeções de tráfego, ruído e impacto luminoso.
Chris Lehane, diretor de assuntos globais, afirmou que os equipamentos exigem atualização a cada três a cinco anos, o que geraria empregos permanentes — não apenas temporários de construção.
Números que a empresa coloca na mesa
- 2.500 vagas de longo prazo previstas para o campus no sul de Ohio
- Salário médio anual de US$ 80 mil (cerca de R$ 437 mil)
- Oito edifícios planejados no complexo de Abilene, Texas
Parceiras como a Oracle constroem e detêm a maior parte da infraestrutura, com capacidade dedicada à OpenAI.
O recado das urnas assustou investidores
Nas eleições de meio de mandato, democratas conquistaram os governos do Texas, Geórgia e Ohio com plataformas de pausar licenças e endurecer regras para data centers. Das 41 propostas submetidas a voto popular sobre o tema, 40 resultaram em derrotas para o setor, segundo o Ballotpedia.
A reação foi imediata: ações de operadoras de data centers e empresas de energia caíram na quarta-feira (4), com o mercado precificando licenciamentos mais lentos e custos maiores.
O xadrez político por trás da ofensiva
A OpenAI investiu pesado na aproximação com o governo Trump nos últimos dois anos. Sam Altman doou US$ 1 milhão para o comitê de posse; Greg Brockman destinou US$ 25 milhões a um super PAC pró-Trump. Agora, com a maré virando em estados republicanos, a empresa aposta na experiência democrata de Lehane — ex-advogado sênior de Bill Clinton e porta-voz de Al Gore — para dialogar com a nova oposição.
“Precisamos comunicar melhor por que esses projetos beneficiam as comunidades”, admitiu Brockman em evento na véspera do anúncio.
O que observar daqui para frente
A transparência prometida será testada nos próximos pedidos de licenciamento. Se a OpenAI cumpre o compromisso de abrir dados de impacto local, pode criar um precedente para o setor. Caso contrário, a desconfiança — já validada nas urnas — tende a endurecer barreiras regulatórias em 2025. Para investidores e executivos, o termômetro estará nas primeiras audiências públicas após a nova política.
