Cultura

Lasai sobe no ranking mundial e reabre no Rio com menu a R$ 1.550: o que muda?

Chef Rafa Costa e Silva no restaurante Lasai, 25º no World's 50 Best 2026, reaberto no Sofitel Ipanema
Lasai reabre em dezembro no 21º andar do Sofitel Ipanema com menu degustação a R$ 1.550

O Lasai, do chef Rafa Costa e Silva, conquistou a 25ª posição no The World’s 50 Best Restaurants 2026, subindo três degraus em relação à edição anterior. O anúncio, feito em Lima, consolida a casa como única representante do Rio de Janeiro no seleto grupo dos 50 melhores. A notícia chega junto com a confirmação da reabertura em dezembro, agora no 21º andar do hotel Sofitel, em Ipanema.

Mas a escalada no ranking esconde um detalhe crucial: o próprio chef esperava cair posições este ano. A razão? A complexa logística de fechar a unidade do Humaitá e erguer a nova operação simultaneamente.

O novo endereço e a conta final

A mudança para a Avenida Vieira Souto, 460, traz vista direta para a orla de Ipanema e um salão projetado para a nova fase. O menu degustação foi precificado a R$ 1.550 por pessoa, valor que não inclui a harmonização de vinhos, cotada à parte em R$ 750.

Para o investidor ou executivo que frequenta o circuito de alta gastronomia, os números sinalizam o posicionamento do Lasai no topo do mercado nacional. A casa mantém as duas estrelas Michelin, o que reforça a solidez da marca mesmo diante de uma transição física arriscada.

Por que a subida surpreendeu o próprio chef

Em entrevista, Rafa Costa e Silva admitiu que a equipe concentrou esforços na obra e na mudança ao longo de 2025. O temor era que a dispersão operacional impactasse a consistência dos pratos avaliados pelos jurados internacionais.

O resultado oposto sugere dois cenários:

  • A força da marca superou eventuais oscilações temporárias no serviço.
  • O modelo de cozinha baseada em produto próprio (horta no Vale das Videiras) garantiu padrão independentemente do endereço físico.

A propriedade na Região Serrana segue como diferencial competitivo difícil de replicar: ingredientes orgânicos, sazonais e de pequenos fornecedores chegam à mesa com rastreabilidade total.

O mapa da alta gastronomia brasileira em 2026

O ranking ampliado mostra a hegemonia paulista nas posições seguintes. O Tuju lidera entre os brasileiros no 16º lugar global. Na lista estendida, aparecem Nelita (51º) e Evvai (68º), ambos na capital paulista.

No topo mundial, o basco Asador Etxebarri manteve a liderança, seguido pelo tailandês Gaggan, em Bangkok. A presença de apenas uma casa carioca no top 50 reacende o debate sobre a capacidade do Rio de manter relevância internacional sustentada além de um único ícone.

O que observar daqui para frente

A reabertura em dezembro funciona como teste real para a tese de que a identidade do Lasai é portátil. O desafio não é apenas manter as estrelas ou o ranking, mas adaptar a operação a um hotel de luxo com fluxo de hóspedes e eventos — variável inexistente na casa do Humaitá.

Para o mercado, vale monitorar três variáveis nos primeiros 90 dias: taxa de ocupação do salão principal, tempo médio de permanência da mesa (giro) e a receptividade do público local frente ao ticket médio superior a R$ 2.300 com harmonização. A resposta ditse se a aposta na orla foi estratégia de expansão ou movimento defensivo de sobrevivência.