O governo federal confirma um buraco de R$ 15,3 bilhões na previsão de receitas para 2027 após a extinção das apostas online. A conta chegou à mesa do ministro Dario Durigan, que admitiu a necessidade de reescrever o orçamento do próximo ano. Mas há um detalhe que muda tudo: segundo a Fazenda, esse dinheiro não sumiu.
Entre janeiro e setembro, enquanto as bets operaram legalmente, a taxação rendeu o montante bilionário aos cofres públicos. Com a Medida Provisória que proibiu a atividade, essa rubrica zera. A pergunta que fica é: para onde foi o capital que alimentava esse mercado?
O impacto direto na peça orçamentária
Durigan foi direto ao ponto: a perda da arrecadação do “imposto do pecado” exige uma “acomodação” na proposta orçamentária de 2027, que ainda precisa passar pelo crivo do Legislativo. O ministro minimizou o risco de crise fiscal, garantindo que a recomposição das receitas virá por outro caminho.
A aposta da equipe econômica é na migração do consumo. O argumento é simples: o brasileiro que deixaria de apostar não guarda o dinheiro no colchão. Ele gasta no varejo, no atacado, em serviços. Esse deslocamento infla a base de cálculo de tributos como PIS, Cofins e IPI.
O que os números do varejo já mostram
Não é apenas uma tese. O ministro citou sinais concretos de aquecimento em outros setores desde o veto às plataformas. A expectativa é de que a arrecadação federal compense a zero das bets com o aumento da tributação sobre o consumo real.
- R$ 15,3 bi arrecadados com bets (jan/set 2025);
- Fim da rubrica “apostas” no orçamento de 2027;
- Expectativa de ganho em tributos sobre consumo (PIS/Cofins/IPI).
O relógio corre no Congresso: o risco de volta às bets
A Medida Provisória editada em 25 de setembro tem prazo de validade: 120 dias. O Congresso precisa votar e aprovar o texto até 5 de março de 2026. Se a votação não acontecer ou a MP for rejeitada, a proibição cai por terra.
Nesse cenário, as apostas online voltariam a ser liberadas automaticamente em março de 2027. O detalhe político é crucial: a reabertura ocorreria sob um novo Congresso, recém-eleito, o que torna o desfecho imprevisível.
O que observar daqui para frente
O xadrez agora tem três peças principais. A primeira é a tramitação da MP no Legislativo — o governo precisa de maioria para manter o veto. A segunda é a divulgação dos dados oficiais do varejo nos próximos trimestres, que confirmarão ou não a tese da migração de renda. A terceira é a negociação do Orçamento 2027, onde a Fazenda terá de provar que a “mágica” da compensação tributária funciona na prática. Para o empresariado, o sinal é claro: o consumo doméstico deve ditar o ritmo da arrecadação, não mais o jogo online.
