A Fenabrave revisou para cima a projeção de vendas de veículos novos em 2026, saltando de 8,6% para 12,8% — o que projeta quase 5,6 milhões de unidades emplacadas até dezembro. O número impressiona, mas esconde uma assimetria perigosa entre os segmentos que todo investidor precisa monitorar de perto.
O ritmo recorde que pegou o mercado de surpresa
Entre janeiro e outubro, o setor já emplacou 4,72 milhões de unidades, alta de 12,62% sobre 2025. É o segundo melhor acumulado da série histórica, ficando atrás apenas do ano de 2011. Para o presidente da entidade, Arcelio Junior, os dados permitem uma leitura mais otimista para o fechamento do ano, especialmente em automóveis e comerciais leves.
Carros de passeio puxam a fila; caminhões ainda freiam
A assimetria é o ponto central da análise. Enquanto automóveis e comerciais leves disparam 17,29% no ano (somando 2,41 milhões de unidades), caminhões e ônibus ainda acumulam queda de 4,18%.
A boa notícia: a sangria nos pesados estancou. Em setembro, a retração era de 8,36%. A melhora gradual é creditada ao programa Move Brasil, que começa a surtir efeito na renovação de frotas.
Elétricos e híbridos dobram participação e viram motor do crescimento
O grande trunfo do ano é a eletrificação. Veículos eletrificados cresceram mais de 130% no acumulado, somando 524.766 emplacamentos.
- Participação em carros e leves: 20,54% (era 10,67% em 2025);
- Crescimento triplo dígito puxa a média geral do setor para cima.
Motocicletas batem recorde histórico de volume
Com 1,98 milhão de unidades no ano (+8,9%), as motos registram o maior volume acumulado da história. A dupla função — mobilidade urbana e ferramenta de trabalho — blinda o segmento contra oscilações mensais bruscas.
Queda de outubro: calendário, não crise
O recuo de 4,06% em outubro ante setembro assustou quem olhou apenas o headline. A Fenabrave explica: foram 21 dias úteis contra 23 no mesmo mês de 2025. A comparação anual mostra queda marginal de 0,85%, sinal de que a demanda de fundo segue aquecida.
O que observar nos próximos meses
O fechamento de 2026 dependerá de duas variáveis: a manutenção do ritmo dos eletrificados — que carregam a média — e a consolidação da recuperação de caminhões e ônibus. Se o Move Brasil acelerar a renovação de frotas pesadas, o setor pode fechar o ano acima dos 5,6 milhões projetados. Para o estrategista, o sinal está na mistura: volume recorde em motos e carros leves, mas margem ainda pressionada no transporte de carga.
