Cultura

Festival de moda autoral ocupa o Jockey Club com 150 marcas e programação gratuita

Festival Carandaí 25 no Jockey Club da Gávea com marcas autorais e público
O Jockey Club Brasileiro recebe 150 marcas autorais no festival Carandaí 25 até domingo.

O Jockey Club Brasileiro, na Gávea, abre as portas nesta quinta-feira (5) para a nova edição do Carandaí 25, festival que reúne 150 marcas autorais, desfiles, shows e oficinas até domingo (8). A entrada é gratuita, mas a programação densa exige escolhas estratégicas de quem visita.

O evento funciona das 13h às 21h e transforma o espaço em vitrine de moda, design e economia criativa — com um detalhe: parte dos expositores carrega histórias de impacto social que vão além da estética.

O estande que nasceu de uniformes descartados

Entre os 150 expositores, o Instituto Dona de Si chama atenção pelo modelo de produção. Fundado pela atriz Suzana Pires, o instituto atende 50 mulheres do Morro dos Prazeres, na região central do Rio, por meio do projeto Lab Upcycling — agora em seu segundo ano.

As participantes transformaram uniformes e EPIs da empresa de petróleo PRIO, que seriam descartados, em bolsas e acessórios. Durante a formação, aprenderam corte, costura e modelagem; nesta edição, passam a vender diretamente ao público. Toda a receita fica com as artesãs.

O caso ilustra como o festival funciona como canal de escoamento para cadeias produtivas que operam à margem do varejo convencional.

Estreias e premiação: o que diferencia esta edição

Além dos nomes já conhecidos do circuito autoral, o Carandaí 25 traz estreantes que ampliam o leque de categorias:

  • Elisa Parpinelli — joias artesanais em cerâmica;
  • Rodrigo Evangelista — peças maximalistas assinadas pelo designer.

Na sexta-feira (6), às 17h, ocorre o Prêmio Revelação, que homenageará dez marcas em categorias como inovação, sustentabilidade e estamparia. O reconhecimento funciona como termômetro do que o mercado independente tem produzido de mais relevante.

Programação em camadas: moda, conversa e música

A grade de atividades foi desenhada para ocupar o dia inteiro. Manhãs reservam bem-estar (yoga, meditação, respiração, massagem com velas); tardes concentram oficinas práticas — customização de jeans, perfumaria com Granado, maquiagem artística, arranjos florais, cerâmica e aromaterapia — e bate-papos temáticos.

Os desfiles pontuam o fim de tarde: Teen Brands na quinta (18h), Carandaí 25 na sexta (18h) e Sebrae Rio no sábado (18h). À noite, shows fecham a programação:

  • Quinta (5): Dora Vergueiro convida Luis Carlinhos e Sandrinho;
  • Sexta (6): Mariana Volker;
  • Sábado (7): Quarteto Urubatan;
  • Domingo (8): Anibale e, às 19h, o projeto social Favela Brass.

Os debates abordam envelhecimento e dieta feminina, futuro do artesanato brasileiro, influência da cultura nacional na moda contemporânea e a relação entre carnaval e vestuário — temas que conectam comportamento de consumo a identidade cultural.

O que observar daqui para frente

O Carandaí 25 consolidou-se como plataforma de visibilidade para marcas que não acessam grandes feiras comerciais. A presença de projetos de upcycling com geração de renda direta para comunidades e a curadoria que mistura estreantes a nomes estabelecidos sinalizam um modelo de evento que alia comércio, formação e impacto social.

Para empreendedores do setor, a edição funciona como laboratório: testa-se aceitação de produto, precificação e narrativa de marca em público qualificado. Para investidores e gestores de varejo, é vitrine de tendências que nascem fora do radar das grandes redes — e que, muitas vezes, ditam o próximo ciclo de consumo consciente.