Nos dias 5 e 6 de novembro, Londrina concentra a atenção de gestores, engenheiros e investidores na 4ª edição do Fórum Norte Paranaense e 2º Fórum Brasileiro de Gestão de Resíduos Sólidos. O evento gratuito na Unicesumar não é apenas mais um encontro técnico: é onde a regulação encontra a tecnologia e onde o custo do descarte vira oportunidade de receita.
A programação divide-se em dois eixos estratégicos. O primeiro dia ataca a burocracia: como transformar leis em coleta seletiva real em cidades de porte médio. O segundo mergulha em inteligência artificial, rastreabilidade e modelos de financiamento que já funcionam na Europa. Para o empresário, a mensagem é clara: a universalização do saneamento até 2033 não é meta de governo, é prazo de mercado.
Por que pequenos e médios municípios travam a reciclagem
O diagnóstico apresentado pela ANPEA e CREA-PR aponta o gargalo: falta governança e indicadores. Muitas prefeituras têm planos no papel, mas não fiscalizam, não medem resultados e não integram cooperativas de catadores à cadeia produtiva.
O painel de abertura foca em “responsabilidade compartilhada”. Na prática, significa que a indústria precisa pagar pela logística reversa e o poder público deve garantir a infraestrutura. Quem não se adequar fica fora de editais e linhas de crédito verde — incluindo o programa “Mais Engenharia”, do CREA-PR, vitrine do evento para captação de recursos.
Tecnologia deixa de ser opcional vira condição de financiamento
No dia 6, o foco muda para dados. Rastreabilidade de resíduos, automação de triagem e IA para otimização de rotas deixam de ser “inovação” para virar exigência de fundos internacionais e bancos de desenvolvimento. A experiência de Portugal, apresentada no fórum, mostra que municípios que digitalizaram a gestão reduziram custos operacionais em até 30% nos primeiros dois anos.
- Monitoramento em tempo real de aterros e pontos de entrega voluntária.
- Blockchain para logística reversa garantindo rastreio de embalagens pós-consumo.
- Modelos preditivos para dimensionamento de centrais de triagem.
O “dinheiro novo” que financia a economia circular
Uma das sessões mais aguardadas detalha como acessar recursos do BNDES, fundos climáticos e cooperação técnica internacional (como a agência ambiental da Suécia, presente pelo segundo ano). O segredo não é apenas ter o projeto, mas ter indicadores de desempenho alinhados ao Marco Legal do Saneamento.
O promotor Renato Sant’Anna, do GAEMA, resume: “O fórum construiu uma rede. Hoje, o município que chega aqui sai com contatos de quem financia, de quem opera e de quem fiscaliza. Isso acelera a execução”.
Visão internacional: o lixo não tem fronteira, a solução também não
Hugo Pedrosa, da agência sueca, traz um dado duro: plásticos no mar, qualidade do ar e mudança climática são consequências globais de decisões locais de consumo. A Suécia exporta não só tecnologia, mas modelos de governança onde produtor, consumidor e Estado têm metas compartilhadas e punições claras.
Para o Brasil, o recado é pragmático: adaptar o que funciona lá — taxação de produtos não recicláveis, metas de incorporação de material reciclado na indústria, consórcios intermunicipais fortes — à realidade tributária e territorial daqui.
O que observar daqui para frente
O encerramento do fórum consolida um “mapa de prioridades” para o Paraná. Se você atua em logística, indústria, varejo ou gestão pública, três sinais merecem radar nos próximos 90 dias: publicação de editais estaduais para consórcios de resíduos; novas linhas do “Mais Engenharia” com exigência de digitalização; e movimentos de grandes marcas antecipando metas de logística reversa para 2025. Quem chegou atrasado na universalização da água e esgoto paga caro hoje. Com resíduos, a conta chega mais rápido.
