O gás de cozinha (GLP) subiu 17,5% nas distribuidoras baianas desde 1º de novembro, o reajuste mais agressivo desde que a Acelen assumiu a Refinaria de Mataripe. Para o consumidor, a conta chega mais cara: espere pagar entre R$ 12 e R$ 15 a mais por botijão de 13 kg nas próximas semanas.
Esse é o sétimo movimento de alta apenas em 2024, mas nenhum anterior se aproxima desta magnitude. A pergunta que fica: até onde o repasse vai chegar no varejo antes de estabilizar?
O choque direto na planilha de custos
A Acelen confirmou que o preço da tonelada do GLP saltou de R$ 3.971,60 para R$ 4.664,90. Na ponta da revenda, a margem de absorção acabou. Diferente de maio, quando os revendedores seguraram parte da alta, o tamanho do reajuste atual torna o repasse integral quase inevitável.
Para famílias de baixa renda e pequenos comércios — padarias, lanchonetes, food trucks —, o impacto é imediato no fluxo de caixa. Não há estoque que amorteça um salto de dois dígitos percentuais em 30 dias.
Montanha-russa de 2024: o histórico que explica a volatilidade
O ano não foi linear. Veja a oscilação acumulada até outubro:
- Jan: +2,38%
- Fev: -4,19%
- Mar: Estável
- Abr: +15,2%
- Mai: +4,3% (absorvido pela revenda)
- Jun: +9,59%
- Jul: -6,8%
- Ago: -7,1%
- Out: ~+9%
- Nov: +17,5% (recorde do período)
O padrão revela uma correlação direta com o câmbio e o Brent, mas a amplitude do último movimento sugere pressão adicional nos custos logísticos ou de aquisição de matéria-prima que a refinaria não detalhou.
Por que a Acelen mexeu tanto agora?
Em nota, a empresa reiterou sua política de paridade de importação (PPI): petróleo internacional, dólar e frete. Analistas de mercado apontam que a combinação de real desvalorizado frente ao dólar nas últimas semanas e a manutenção do barril acima de US$ 70 criaram a “tempestade perfeita” para o reajuste máximo.
Mas há um detalhe operacional: a Refinaria de Mataripe é a única fonte relevante de GLP para o Nordeste. Sem concorrência regional direta, o repasse da paridade internacional chega sem filtro ao distribuidor local.
O que observar daqui para frente
Três variáveis ditam o próximo capítulo:
- Câmbio: se o dólar recuar para casa dos R$ 5,50, há espaço para queda em dezembro.
- Estoque dos revendedores: quem comprou antes do dia 1º tem fôlego de 10 a 15 dias para manter o preço velho — vantagem competitiva temporária.
- Demanda sazonal: festas de fim de ano puxam consumo para cima, o que costuma travar quedas mesmo se a matéria-prima ceder.
Para o empresário do setor de alimentação ou logística, a recomendação prática é travar contratos de fornecimento agora, se possível, ou repassar ao menos 60% do aumento ao cardápio ainda em novembro. Esperar janeiro pode significar absorver uma segunda alta consecutiva.
